
E apesar da imensa vontade de dizer: -Vai bem, obrigado.
E mudar de assunto:
-Tá lindo o dia hoje, né?
A gente tem que dizer se tá assim, se tá assado, mole demais, duro demais. Ou seja: Em relação ao grau de ninguémmerecismo da vida, ter que analisar um cocô está mais ou menos no grau 9.
Aí a criança larga a fralda e você acha que todos os seus problemas "se acabaram-se", mas não.
Você está linda e bela comendo uma comida maravilhosa em um restaurante e a criança diz: -Quero fazer cocô!
Você larga tudo e vai atrás de um banheiro, rezando muito para que não aconteça nenhum acidente no meio do caminho, encontra o banheiro, entra porta adentro desesperada gritando:
-Nããããão põe a mão em nada!
E pega papel pra forrar o vaso, e segura a criança pra não cair lá dentro, o paraíso.
Esses dias entrei com Cecília no banheiro de um restaurante, um calooooooor de matar e Cecília gosta de conversar no banheiro. Ela não chega faz o serviço e sai, tem que conversar. Falar das Princesas, da Tia da escolinha, e por aí vai. E eu lá, um calor danado, tendo que segurar aqueles vinte quilos de belezura enquanto ela tagarelava. Pra piorar a luz tinha sensor de movimento, se ficasse paradinha ela apagava e ficava tudo um breu, com direito a escândalo da criança que morre de medo de escuro.
A cena final era eu suando bicas, segurando Cecília com um braço e balançando o outro para que a lâmpada não apagasse. O paraíso ao quadrado.
Outro dia era eu no Shopping, estilo Julia Roberts em 'Uma linda mulher', experimentando vááários vestidos e saindo do provador pra mostrar a belezura. Um belo momento saio eu toda prosa:
-E aí gente ficou bonito?
Marido: -Tá lindo!
Cecília: -Quero fazer cocô.
Meu glamour foi abaixo de zero.
Tirei o vestido às pressas e lá fui eu em busca do banheiro perdido. Ninguémmerecismo grau 10.
Há muitos momentos em que o inimaginável acontece: A gente sente saudades da fralda, aquele pacotinho, que nos permitia tranquilamente encontrar um lugar tranquilo e calmo pra encarar o limpa-limpa.