domingo, 19 de julho de 2015

Vai verão, vem dignidade!


Creio que não há quem não tenha visto o comercial de uma famosa marca de cervejas, onde uma mulher gostosona desfila pelas areias da praia servindo clientes de um bar ao som da já célebre frase: -Vai verão! vem verão!
É impossível deixar de notar a total personificação do machismo nesta pavorosa peça publicitária.
A mulher, em estado de seminudez, haja vista os trajes microscópicos que veste, tem como principal atividade no subemprego que ocupa, distrair  e servir os homens que a rodeiam em uma situação de submissão e assédio moral e sexual.
Este tipo de propaganda atrasa a construção de uma sociedade mais igualitária, menos sexista e machista, além de promover reminiscências de pensamentos retrógrados e errôneos para as gerações futuras.
Me entristece  a falta de sensibilidade dos profissionais que idealizam este tipo de propaganda.
Propuseram um ideal de comercial de cerveja, que é seguido à risca à tempos, e não é possível que alguém não tenha dito: - Queridos, vocês estão fazendo isso errado! Cadê a mulherada que não se coloca, que não protesta contra esse tipo de aberração propagandista???
A pior constatação vem na macroanálise deste tema, pois chego à lamentável conclusão de que a nossa época está fielmente retratada neste tipo de comercial: A pobreza de espírito, a preguiça de pensar e contestar, a desatenção às questões sociais, a busca pelo lucro acima de qualquer questão ética, o culto quase megalomaníaco ao corpo, a falta de criatividade, a ignorância.
A cultura da bunda merece um pé bem no meio dela!
Sinto que a Idade Média está prestes a perder a (injusta) fama de Idade das Trevas... Resta-nos aguardar tempos melhores.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Cartas para Cecília.


Ontem eu estava olhando você sentada no sofá de pernas cruzadas, perninhas cruzadas! 
Porque agora você vê televisão assim, sentadinha, e o sofá deixou de ser um playground onde você fazia de tudo, menos sentar.
O olhar está diferente, você olha tentando entender a história, não espera somente pela cena pastelão do desenho pra gargalhar.
Você anda querendo combinar a cor da roupa com a cor do batom e não quer mais vestir aquele vestido colorido que eu adorava! Você me diz o que combina com sapatilha e o que combina com sandália e não arreda pé de casa sem passar o perfume da Cinderela. Agora descobriu o blush, e o meu blush agora é nosso blush.
Você me observa no espelho e tenta imitar meus trejeitos, eu acho graça e não posso rir muito alto porque você fica chateada se alguém ri de você.
Você anda sentimental demais. O choro não é mais manha, ontem mesmo você chorou emocionada com o filme da fadinha, porque ela nunca mais veria o amigo monstro que hibernaria por mil anos.
E eu chorei porque você chorou, me emocionei com a sua emoção.
Você é faladeira e comunicativa, faz amigos com a facilidade de quem bebe um copo d'água. E você tem tantas melhores amigas! Você é uma garotinha muito popular!
Você me disse esses dias que os meninos são muito chatos, mas que mesmo assim você conversa com eles, menos com aquele menino mais chato de todos! 
E você é muito agarrada com seu pai, ele brinca de casinha com você e de fazer um bondinho com pote de sorvete e barbante e até coroa de princesa ele põe pra te agradar!
Você é muito fã do seu pai, ele é tipo um herói pra você, um herói super poderoso, inteligente e bonito. E quando eu te vejo muito assim com ele, eu pergunto se você me ama... Você diz que me ama e que eu sou a mãe mais linda do mundo e eu fico mais tranquila.
Você teve muita sorte com esse papai. Nós tivemos.
Você já lê como um adulto, escreve com pouquíssimos erros, mas escrever de "mão dada" tem sido um desafio pra você, escrever em caixa alta é tão mais simples né?
Às vezes você houve sobre violência em algum jornal da televisão e fica preocupada. Há um tempo você me esclareceu que nem todas as pessoas que morrem vão para o céu, algumas vão pro Jornal Nacional. 
Eu quis te colocar  em uma caixinha de cristal pro resto da sua vida.
Você é uma garotinha de seis anos muito especial. Muito mesmo.
 

 
Web Statistics