terça-feira, 29 de maio de 2012

Precisamos falar sobre a Xuxa.

     Dia desses a Xuxa deu uma entrevista ao Fantástico falando sobre abusos sofridos na infância. Acho que todo mundo que não passou férias em Marte ficou sabendo. Muitos riram, outros desmentiram, caçoaram, desconfiaram. De uma história total e completamente possível de ter acontecido com ela e com mais de bilhão de crianças mundo afora no mesmo segundo. 
     Muitos disseram que não acreditaram por ela  já ter dito uma vez que via duendes. E daí? Tem gente que diz que vê santos chorarem, que vê discos voadores (eu mesma já vi, e quem caçoar de mim vou pegar na saída.), que vê fantasmas, que vê deputado trabalhando segunda-feira no Congresso.
     O fato é que ela decidiu enfrentar um trauma extremamente doloroso e por tabela precisou enfrentar a desconfiança nacional. Muitas vezes a criança não conta o abuso por medo de não acreditarem nela, mas para a Xuxa tanto fez contar antes ou agora, não acreditaram do mesmo jeito.
     Muita gente enumerou uma infinidade de poréns para decidir se iria acreditar ou não em uma mulher adulta, independente, que estava alí sabe lá Deus como tentando superar uma violência. Ao ouvir um relato daqueles eu só consigo me consternar e me entristecer, não me resta espaço na mente para nada além disso.
     Ando esses dias com um nó na garganta. Milhares de depoimentos, muitas vezes anônimos, em sites e blogs que trataram do caso pipocam com histórias igualmente semelhantes e pavorosas, pessoas tentando fazer como a Xuxa, só que sem aparecer no Fantástico.
     Tenho sobrinhas de sete e oito anos que precisam ficar com com pessoas que cuidem delas enquanto a minha irmã trabalha. Tenho uma filha de três anos e meio que preciso deixar de  oito e meia da manhã às seis e meia da noite em uma creche pra que eu consiga trabalhar. Neste momento a única coisa que eu gostaria de fazer é colocá-las em uma redoma segura e intransponível até que passem por esse momento tão frágil e inseguro quanto é a infância.
 
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