terça-feira, 29 de junho de 2010

Uma noite pra recordar.


A minha bichinha fica a maior parte do tempo trancada no apartamento só em minha companhia e apesar de tentar fazer com que o seu mundinho seja o mais agradável possível, com brincadeirinhas e coisa e tal, eu sei que não supro a companhia de crianças da idade dela. Isso é um problema.
Moramos longe de nossos lugares de origem, logo longe de irmãos, sobrinhos, quintais pra correr e tudo o mais. Quando ela chega nas casas das avós é uma festa só, parece a Disney! Quando ela vê uma criança seu rostinho se ilumina, fica toda dada, toda se querendo! rs!
Ontem, enquanto passeávamos aqui pelo bairro, Cecília se depara com a seguinte cena:
Um garotinho de rua brincando alegremente com sua bolinha, a mãe estava sentada na calçada com um bebezinho no colo.
Cecília mais que rapidamente correu em direção ao garoto, rindo e já participando da brincadeira. Ele jogava a bolinha pra ela, ela pegava e jogava de volta pra ele toda sorridente! Nossa primeira reação foi nos olharmos sem saber o que fazer. A nossa mente estava agora na linha tênue que separa cuidado de pré-conceito. Sorrimos um pro outro como quem tenta dizer em pensamento: -Ora essa, deixe de bobagem! E deixamos!
A brincadeira durou uns dez minutos. E nós ficamos lá, morrendo de inveja desse serzinho tão despido de valores equivocados, tão livre das coerções sociais, tão inocentemente lindo!
Na volta, as fraldas e os biscoitos não foram doados a um garotinho de rua, foram presentes pro amiguinho da Cecília!
E o meu coração segue apertado, querendo alucinadamente livrar aquela família daquela situação degradante, mas sabendo que o que está degradado não é aquela mãe, ou seus filhos, o que está degradado, infelizmente, é aquilo que a gente costuma chamar de pátria.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A Volta da Mulher Morena


Quando estávamos começando a namorar,Maridão todo trabalhado na sedução, me deu um CD de poemas do Vinícius de Moraes (Com o próprio Vinícius declamando, uma coisa phyna!).
Ao ler e ouvir "A Volta da Mulher Morena" me sinto perigosa, só digo isso.

A Volta Da Mulher Morena
Vinicius de Moraes

Meus amigos, meus irmãos, cegai os olhos da mulher morena
Que os olhos da mulher morena estão me envolvendo
E estão me despertando de noite.
Meus amigos, meus irmãos, cortai os lábios da mulher morena
Eles são maduros e úmidos e inquietos
E sabem tirar a volúpia de todos os frios.
Meus amigos, meus irmãos, e vós que amais a poesia da minha alma
Cortai os peitos da mulher morena
Que os peitos da mulher morena sufocam o meu sono
E trazem cores tristes para os meus olhos.
Jovem camponesa que me namoras quando eu passo nas tardes
Traze-me para o contato casto de tuas vestes
Salva-me dos braços da mulher morena
Eles são lassos* , ficam estendidos imóveis ao longo de mim
São como raízes recendendo resina fresca
São como dois silêncios que me paralisam.
Aventureira do Rio da Vida, compra o meu corpo da mulher morena
Livra-me do seu ventre como a campina matinal
Livra-me do seu dorso como a água escorrendo fria.
Branca avozinha dos caminhos, reza para ir embora a mulher morena
Reza para murcharem as pernas da mulher morena
Reza para a velhice roer dentro da mulher morena
Que a mulher morena está encurvando os meus ombros
E está trazendo tosse má para o meu peito.
Meus amigos, meus irmãos, e vós todos que guardais ainda meus últimos cantos
Dai morte cruel à mulher morena!

*Frouxos

Hã?


Eis que no meio de uma pseudo crise existencial, uma crise de meia idade deflagrada pelos 26 anos de Wagner Love, uma crise da pedra filosofal e todas as crises possíveis de um ser humano viver eu descubro que vou ser tia-avó. Desestabilizei.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Só Padre Cícero mesmo.


42 mortos e 116.189 pessoas desabrigadas ou desalojadas em Alagoas e Pernambuco.
607 moradores continuam desaparecidos em Alagoas.


"Os cenários são de destruição completa de cidades, como se um gigantesco Tsunami tivesse passado por ali"

Houveram tragédias deste tipo em Santa Catarina e no Rio de Janeiro, em ambos os casos a comoção pública não apenas nos Estados que sofriam os efeitos das chuvas, mas em todo o Brasil foi estrondosa. Familiares de Minas e da Bahia me ligavam querendo saber se eu ainda estava viva, amigas com familiares pelos quatro cantos do Brasil se viram numa enxurrada de telefonemas que aguardavam por boas notícias. Isso tudo favorecido pela grandiosa cobertura das grandes mídias, que tratava o caso com a importância que lhe era devida e em alguns casos até com certa propensão ao exagero.
Mas e o Nordeste? O Nordeste sofre, não apenas com a enchente, sofre com a seca, com a fome, com a miséria, mas o sofrimento do povo nordestino não suscita no Brasil o mesmo tipo de comoção pública.
Os números trágicos do início deste texto parecem não exercer os mesmos sentimentos pesarosos nas pessoas. Vou dar um exemplo: Nas páginas iniciais dos grandes sites só entra aquilo que gera interesse, hoje eu me deparei com a Globo.com sem nenhuma, eu disse NENHUMA menção ao desastre que se abate sobre o povo nordestino. Aconteceu a mesma coisa com o site do Jornal O Dia, e com o do Jornal o Globo, que dedicava um ínfimo quadradinho quase no rodapé da página para tratar do assunto. Esse interesse gerado pelas notícias das primeiras páginas dos sites é medido pela quantidade de cliques que os links dessas notícias atraem. Parece que o Brasil não se interessou muito pelo drama dos Alagoanos ou dos Pernambucanos...
O Nordeste está lá, sofrendo desde sempre e nem quando uma grande trágédia se abate sobre sua terra ele consegue dos brasileiros a empatia que lhe permita receber a atenção que lhe é negada também desde sempre.
Pra piorar este quadro as enchentes vieram em tempos de Copa do Mundo, um tempo em que as pessoas ficam anestesiadas, abestalhadas e pintadas de verde e amarelo.
O que são crianças andando na lama sobre os escombros de suas casas quando se tem um jogo do Brasil amanhã? Nada.
Às vezes me parece que as distâncias geográficas do Brasil parecem infinitamente maiores no imaginário dos brasileiros, que veem o Nordeste como uma África, que sofre sim, mais é tão impossível chegar lá pra ajudar, não é mesmo?
Precisamos contar aos Brasileiros que o Nordeste não está do lado de lá do Atlântico.

Update: Acabo de saber que o número de desaparecidos foi drasticamente aumentado no início da semana devido ao desespero das famílias, são agora cerca de 60. Mas isso é só um número, pra quem perde um ente querido, um quer dizer um milhão.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A sexta, a música, o futebol, a crise...

Resumão da Semana:

Esta semana tivemos jogo do Brasil. Desde que começou esta história de copa temos nos deliciado com a nossa pequena torcedora gritando: -Gooool Bagil !!!!!!!
Eslovênia faz gol? Pra ela é: -Goool Bagil !!!!
Nigéria faz gol? Ela grita: -Goool Bagil !!!!!
"República Popular Democrática" da Coréia do Norte faz gol: É -Goool Bagil!!!!!!
Mas eis que finalmente chega o primeiro jogo do "Bagil" e Cecília demonstra todo o seu entusiasmo pela seleção canarinho:

Dá pra entender? hehehe

Também esta semana tentei mergulhar em uma crise existencial, porque é nos momentos de crise que eu cresço, tomo decisões importantes, inicio planos mirabolantes para conquistar o mundo (uáhahahaha) e inicio estudos para mudar radicalmente meus rumos profissionais.
Mas eu te pergunto querido leitor, como manter uma crise, deprimir, chorar copiosamente e não querer ver ninguém quando se tem que cantar musiquinhas, imitar bichinhos, dançar o pula-pula, ver desenhosinhos felizinhos no Discovery Kids(favor pagar merchand) e tentar não gargalhar com um bebezinho lindo aprendendo a contar: -Ummmmm, doishshshs, têêêêssss, Cáto, Chinco, óóóóve, déichi!!!!! (O seis, o sete e o oito não saem nem com reza brava!)
Dá não, né? rs!
Vô te dizer, depois que a gente é mãe nem crise mais podemos ter.

Pra encerrar vem a música, "Yellow" do Coldplay (amo!),que eu chamo de música pra pensar na vida...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Tô Cho-ca-da!

Reparem na foto abaixo:

Esqueçam o moleque com o pé cheio de lama e a canela russa.
Agora olhem para o Wagner Love. Olharam? Olhem bem, passem os olhos em sua rubronegra figura, vejam que ele tem barba branca!(praticamente,vai!) E não é só a barba não, pelo conjunto da obra eu dava uns 30 anos no mínimo pra ele. Mas não. Wagner Love, do alto de sua cabeleira acaba de completar 26 anos. Eu disse 26 anos.
O meu problema nem é ele ter 26 anos, o meu problema é que eu tenho 27 anos!!!!!!!
Cara, o Wagner Love, até anteontem tinha 25 anos. Eu, em agosto (praticamente depois de amanhã) vou fazer 28 anos!!!!!!
Tô aqui fazendo reza forte para que o Wagner love esteja mesmo parecendo mais velho do que é.
Peeeeeeor vai ser você estar lendo este post e pensando: - Nooooossa a Lu só tem 27 anos, daria uns trinta pra ela no mínimo!
Amizade acaba na ho-ra. rs!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Cecília já demonstra interesse por livros.


Bem... Isso já é interesse, né não?! :)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Sobre quando a gente descobre que cresceu.



Nostalgia é o sentimento-mor do meu coração.
E hoje, com tantas responsabilidades, tantos compromissos, tantos horários, tantas crianças pra alimentar (hehe) me peguei tentando imaginar quando é que foi que eu cresci. Crescer mesmo, sabe?! Virar adulto!
Engraçado é que isso acontece antes mesmo de a gente se dar conta de que está acontecendo. Acho que há alguns sinais de que a vida boa tá acabando que só conseguimos captar assim, num belo dia da vida adulta em que você para e pensa: -Quando foi que eu cresci?

A gente cresce quando começa a comer para se alimentar, e não para matar a fome.
Quando começa a estudar para "ser alguém na vida" e não pra passar na prova.
Quando não tem mais medo da mãe se fez uma merdinha.
Quando não faz merda porque tem medo da polícia. (ou dos bandidos hehe)
Quando descobre que dinheiro não nasce em árvore.
Quando começa a temer a morte.
Quando descobre que o seu lugar é pequeno demais pra você.
Quando chega a primeira carta com o seu nome do destinatário.
Quando descobre que o: -Se vira! Não é só dar uma viradinha.
Quando os sonhos começam a dar lugar aos planos.

A gente cresce, irremediavelmente.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Da Série: Coisas que eu não entendo!


Por que cargas d'água, roupinha e sapatinho de bebê são tão caros se eles são tãããããão pequenininhos????? Por que? Por que? Por que?
Esses dias estávamos numa loja e de repente eu vejo uma roupinha linda, um pedacinho de pano de nada, mas lindinha de viver! Entusismada pergunto pra vendedora:
-Quanto custa essa?
No que ela me responde com a maior placidez:
- 149,90.
Eu:
- Creeeeeedo menina! Népossível! Não-po-de-ser!
E me vira a vendedora:
-Ahhhhh, mas essa é da Noruega!
Marido, igualmente espantadíssimo intervém:
-Ah tá, é importado, né?! (tem os impostos e tal)
E a dita cuja da vendedora explica:
- Nãããão! Noruega é a marca, tá pensando o que? Roupinha de criança também tem marca!
E aí eu te pergunto meu caro leitor: Eu-pos-so-com-is-so?
A pequena criatura nem sabe comer sozinha, quanto mais saber que o pedacinho de pano que ela veste é de marca!
Faça-me o favor!

As Coisas Que a Internet Não Substitui!


Bate papo embalado com cheirinho de café,
Cervejinha no bar,
Passeio de mãozinha dada,
olho no olho sentindo a respiração do outro,
Olhar ábuns de fotografias reveladas dando risadas,
Abraço apertado de saudades,
Amigos de verdade,
Amores de verdade,
Chorar no ombro,
Livros,
Gargalhadas,
Respirar ar puro,
Viajar pra conhecer,
Viajar pra relembrar
(...)
 
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