terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Um tapinha dói sim. E dói na Alma.


Das poucas convicções que me sobraram nesta vida, tem uma da qual eu não abro mão de jeito algum: A total e completa aversão à violência contra a criança.

Considero uma covardia sem tamanho uma pessoa, munida de todas as suas vantagens em relação ao filho (tamanho, força, maturidade) se achar no direito de puní-lo com castigos físicos. E quando digo castigos físicos estou equivalendo um tapa a uma surra. Não existe meio termo. Violência é violência e ponto.

Já discuti sobre isso com muita gente, a completa maioria discorda de mim, acha que um tapa na hora certa corrige o mal passo do filho. Não entendo, nem me esforço pra entender.

Algumas vezes me vi interferindo pra tentar ajudar crianças sendo surradas pelos proprios pais, aqueles que, a meu ver, deveriam lutar pra que suas crias passassem pela vida sem adquirir um trauma como esse. E ouvi várias vezes a célebre frase:
-Mas o filho é meu e eu bato como e quando eu quiser.
A frase transborda sentimento de posse, como se o filho fosse um bem material, que depois de adquirido, passa a se submeter a qualquer coisa a que seu dono o impuser.

Minha mãe sempre nos criou sozinha trabalhando fora, ficando a semana inteira longe de casa. Sempre tivemos que ficar sobre o "cuidado" de vizinhas e de uma tia. Já apanhei, já vi a minha irmã apanhar (da minha mãe, inclusive) com o coração despedaçado por não poder intervir e a vejo hoje repetindo o mesmo comportamento com as minhas sobrinhas, o que me deixa destruída, desmoronada.

Passamos o pão que o diabo amassou, até que eu desse um basta e aos doze anos dissesse à minha mãe que conseguiria cuidar de nós duas sozinha. Assim, eu amadureci mais depressa do que deveria.

Os meus traumas serviram pra me distanciar deste modelo, tirar da experiência ruim a vontade de não permitir que a minha pequetita viva o que eu vivi. Mas a maioria prefere achar que está no exército e ficar com o esquema "se eu apanhei meu filho vai apanhar também"

Muitos preferem impor o regime tirânico do medo, óbvio, é mais fácil levantar um chinelo que ter que apontar todos os caminhos, dizer que não pode, por que não pode, tentar compreender algum tipo de problema emocional que possa estar levando a um comportamento indevido por parte da criança. Muita gente põe filhos no mundo só pra cumprir tabela, não tem um pingo de paciência, descontam neles suas frustações. E isso é muito triste.

Estou com uma menina de dois anos em casa, sei muito bem que a educação de uma criança não é o mar de rosas que muitos pensam que é, mas é inimaginável pra mim, usar a minha força pra castigar a minha filha.

Por hora eu só prosso proteger uma criança e isso eu farei com garras de leoa, mas meu coração não deixa de ficar aflito pelas crianças que são diariamente agredidas e humilhadas, que vivem sob a tenebrosa sombra da mão de um adulto.




5 comentários:

Júuh . disse...

Também fico horrorizada com esses tipos de pais, que pra mim nem deviam ser chamados assim. sou ainda a favor da bela conversa, chemar a criança e dizer: olha filho (a) não é assim e tal....
Ainda não tenho meus 4 pequeninos! kkkkkkk mas na hora certa sei que vou saber educá-los!

beijo Lu, e outro pra Ceci! =*

Ruiva disse...

Nega, poucas pessoas tem consciência que repetem esses atos grotescos como forma de vingança. Porque é exatamente isso: quem sofreu quer se vingar de alguma forma. E acaba vingando no filho, incapaz de se defender. Eu sofri muita violência quando criança e sei que tenho tendências violentas. Às vezes me vejo espumando de ódio com os alunos. Não são meus filhos e alguns são extremamente mau educados e desrespeitosos (pq todo o esforço que faço pra educa-los durante as 40 horas semanais, é desfeito em questão de minutos pelos pais). O que fazer nessa hora? Eu entro no armário da sala e grito com as paredes. Ou saio e bebo água. Ou deixo o circo pegar fogo.
E se fossem meus filhos? Não gostava de apanhar e acho que não vou gostar de bater também. Realmente espero nunca levantar a mão pra um filho.
Educar é um trabalho árduo e nem todo mundo é apto a fazê-lo. Continuo defendendo a idéia de que precisa de uma prova de habilitaçao pra maternidade e paternidade, mas as pessoas acham que é bobeira minha..

Mila. disse...

Gostei do seu blog, tô seguindo!

Depois da uma olhadinha no meu...

:D

As pessoas não entendem que pelo diálogo tudo pode ser resolvido,violência não serve pra nada, ainda mais com criança!

Juliana disse...

não entendo nada de blogs, lu! Não posso te dar ajudinha!

Assino embaixo de cada palavra que vc disse.

Opinião de mãe disse...

Escrevi um post sobre o assunto.

http://maedeopiniao.blogspot.com/

 
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