domingo, 19 de julho de 2015

Vai verão, vem dignidade!


Creio que não há quem não tenha visto o comercial de uma famosa marca de cervejas, onde uma mulher gostosona desfila pelas areias da praia servindo clientes de um bar ao som da já célebre frase: -Vai verão! vem verão!
É impossível deixar de notar a total personificação do machismo nesta pavorosa peça publicitária.
A mulher, em estado de seminudez, haja vista os trajes microscópicos que veste, tem como principal atividade no subemprego que ocupa, distrair  e servir os homens que a rodeiam em uma situação de submissão e assédio moral e sexual.
Este tipo de propaganda atrasa a construção de uma sociedade mais igualitária, menos sexista e machista, além de promover reminiscências de pensamentos retrógrados e errôneos para as gerações futuras.
Me entristece  a falta de sensibilidade dos profissionais que idealizam este tipo de propaganda.
Propuseram um ideal de comercial de cerveja, que é seguido à risca à tempos, e não é possível que alguém não tenha dito: - Queridos, vocês estão fazendo isso errado! Cadê a mulherada que não se coloca, que não protesta contra esse tipo de aberração propagandista???
A pior constatação vem na macroanálise deste tema, pois chego à lamentável conclusão de que a nossa época está fielmente retratada neste tipo de comercial: A pobreza de espírito, a preguiça de pensar e contestar, a desatenção às questões sociais, a busca pelo lucro acima de qualquer questão ética, o culto quase megalomaníaco ao corpo, a falta de criatividade, a ignorância.
A cultura da bunda merece um pé bem no meio dela!
Sinto que a Idade Média está prestes a perder a (injusta) fama de Idade das Trevas... Resta-nos aguardar tempos melhores.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Cartas para Cecília.


Ontem eu estava olhando você sentada no sofá de pernas cruzadas, perninhas cruzadas! 
Porque agora você vê televisão assim, sentadinha, e o sofá deixou de ser um playground onde você fazia de tudo, menos sentar.
O olhar está diferente, você olha tentando entender a história, não espera somente pela cena pastelão do desenho pra gargalhar.
Você anda querendo combinar a cor da roupa com a cor do batom e não quer mais vestir aquele vestido colorido que eu adorava! Você me diz o que combina com sapatilha e o que combina com sandália e não arreda pé de casa sem passar o perfume da Cinderela. Agora descobriu o blush, e o meu blush agora é nosso blush.
Você me observa no espelho e tenta imitar meus trejeitos, eu acho graça e não posso rir muito alto porque você fica chateada se alguém ri de você.
Você anda sentimental demais. O choro não é mais manha, ontem mesmo você chorou emocionada com o filme da fadinha, porque ela nunca mais veria o amigo monstro que hibernaria por mil anos.
E eu chorei porque você chorou, me emocionei com a sua emoção.
Você é faladeira e comunicativa, faz amigos com a facilidade de quem bebe um copo d'água. E você tem tantas melhores amigas! Você é uma garotinha muito popular!
Você me disse esses dias que os meninos são muito chatos, mas que mesmo assim você conversa com eles, menos com aquele menino mais chato de todos! 
E você é muito agarrada com seu pai, ele brinca de casinha com você e de fazer um bondinho com pote de sorvete e barbante e até coroa de princesa ele põe pra te agradar!
Você é muito fã do seu pai, ele é tipo um herói pra você, um herói super poderoso, inteligente e bonito. E quando eu te vejo muito assim com ele, eu pergunto se você me ama... Você diz que me ama e que eu sou a mãe mais linda do mundo e eu fico mais tranquila.
Você teve muita sorte com esse papai. Nós tivemos.
Você já lê como um adulto, escreve com pouquíssimos erros, mas escrever de "mão dada" tem sido um desafio pra você, escrever em caixa alta é tão mais simples né?
Às vezes você houve sobre violência em algum jornal da televisão e fica preocupada. Há um tempo você me esclareceu que nem todas as pessoas que morrem vão para o céu, algumas vão pro Jornal Nacional. 
Eu quis te colocar  em uma caixinha de cristal pro resto da sua vida.
Você é uma garotinha de seis anos muito especial. Muito mesmo.
 

terça-feira, 10 de março de 2015

Não Julgue a minha história.



É óbvio que ninguém aqui é fanático suficiente pra achar que o pais está às mil maravilhas. Estamos com problemas gravíssimos, todos sabemos que a saúde por exemplo nunca chegou próximo do que considera-se satisfatório. Sabemos do abismo existente entre escolas publicas e particulares e temos consciência de que estamos longe de ter uma economia de primeiro mundo. Falta planejamento e organização à nossa economia, poucos ainda têm muito, muitos ainda têm pouco, infelizmente.
O Partido dos Trabalhadores veio se perdendo desde o primeiro mandato, o Partido, vejam bem, não os partidários. Houveram escolhas erradas, alianças erradas. 
Com o passar dos anos percebi pessoas que ainda acreditavam na essência do movimento tendo que buscar justificativas para os erros do planalto, na tentativa desesperada de se agarrar às idéias, aos sonhos. 
Tentamos às vezes justificar o injustificável. Não porque se compactua com isso ou aquilo, mas pela indignação de ver como a elite ferida tenta descaradamente desmoralizar um movimento social, empoderado legal e constitucionalmente, atribuindo ao PT a invenção do roubo, a invenção da corrupção. 
Vemos desde o inicio do governo Lula, a difamação dos direitos sociais implementados.
Sobre o Bolsa Família bradavam:
- Estão dando o peixe!
Sobre as cotas, enraivecidos diziam:
- Eles não tem capacidade!
Vejo que a movimentação das classes sociais, causou desconforto. A ralé no meu avião? A ralé comprando no shopping? A ralé indo à universidade que absurdo!
Querem continuar fazendo o Brasil de casa grande e senzala! Querem voltar aos áureos tempos de cada um no seu quadrado.
Parece piada ter que convencer que queremos que TODOS os que roubaram o país sejam severamente punidos, independente de que partido seja. Há que se acabar com a cultura da corrupção que vem de SÉCULOS, tanto nos altos escalões quanto no jeitinho nosso de cada dia.
O que não se pode permitir é a desmoralização da luta dos trabalhadores brasileiros. Porque na realidade o que querem é construir a ideia de que o povo não pode chegar ao topo, não pode decidir, não pode governar.
O partido  DOS TRABALHADORES chegou à presidência eleito democraticamente, surgiu diretamente de movimentos proletários e ainda é composto por gente do bem e bem intencionada que infelizmente paga pela falta de escrúpulos daqueles que se utilizaram da NOSSA bandeira de luta para roubar o país.
Não estamos todos no mesmo saco, estamos sim é de saco cheio!


sábado, 16 de março de 2013

O moço do queijo.


Vez ou outra aparece lá no trabalho um moço (que nem é tão moço) que vende queijo. Queijo de tudo quanto é tipo.
Ele chega com seu carrinho e a notícia corre mais veloz que o The Flash (nem vem dizer que não conhece o The Flash que vou me sentir velha e malacabada).
Mais que rapidamente começa a se aninhar um monte de gente em volta do homem, como se ele fosse um superstar dando autógrafos.
Mas a maioria das pessoas está lá pra comprar? Nãããããão.
Como ele distribui pedaços dos queijos como prova, a maioria das pessoas vai lá come e vai embora.
E ele fica lá distribuindo pedaços de queijo com uma dignidade, uma placidez! 
A impressão que dá é que no fundo da sua alma ele pensa:
 - Comam seu bando de esfomeados, não vou ficar mais pobre por causa disso! (Eu pensaria isso no fundo da minha alma).
Acho que nem dez por cento das pessoas que vão até lá compram alguma coisa, a maioria vai lá se aproveitar da boa vontade do pobre homem.
Esses dias ele esteve lá e eu fiquei de longe imaginando que de repente nem precisamos de teorias intelectuais pra tentar descobrir o porque de a humanidade haver chegado a este estado lastimável. Acho que o que fez humanidade chegar neste estado putrefato foi atravessar os séculos se aproveitando do moço do queijo, que no sentido figurado tanto pode ser o troco vindo a mais que não se devolve ou invadir um país para roubar suas riquezas com o pretexto de estar lá defendê-lo (mas que frase mais grêmio estudantil rs!).

quinta-feira, 7 de março de 2013

"Facebook do Responsável"


Eu não sou anti social, nunca fui, juro! Acho que sou até social demais, podia ser menos, mais reservada, menos falastrona e coisa e tal. Quem me conhece sabe! (momento propaganda política chinfrin)
Apesar de tudo isso detesto redes sociais! (Oi, isso aqui é uma rede social)
O Orkut era de uma época adolescentóide, então nem posso dizer que odiava porque estaria mentindo descaradamente. Mas amar, amar, nunca amei.
Tenho uma certa aversão àquilo que escraviza as pessoas, e o "tar" do Facebook pra mim escravizou de uma maneira as pessoas que o povo perde a noção.
Todo mundo com a cara grudada no celular, parecem zumbis. Eu vejo rodinhas nos bares em que ninguém fala. Gente, pelo amor de Deus!
Sem falar na exposição desenfreada, foto de tudo, todo mundo achando que tudo o que acontece nos seus mundinhos é de extrema importância para a vida da população mundial. Faça-me o favor!
Esses dias eu estava em uma festinha infantil e uma mãe tirava fotos de tudo e postava na hora, um negócio irritante.
Agora me grudou um ódio mortal mesmo foi quando passaram a chamar o negócio de "Face", tudo ficou ainda mais ridículo. Mas quer ver me matar é a pessoa falar Face. Oooooohhhh God!

Essa coisa de ficarem me perguntando se eu tenho Face (aaarghhh) eu já até acostumei (e tenho que confessar que adoro me sentir um extraterrestre ao notar cara que as pessoas fazem quando falo que não tenho, hehehe) mas esses dias aconteceu de eu estar preenchendo um formulário de inscrição pra aulinha de balé da Cecília e um dos campos era "Facebook do Responsável". Morri.

E eu tendo que escrever NÃO TENHO FACEBOOK"  e já imaginando a professora se perguntar que espécie de mãe extraterrestre eu sou.

Como já diria Arnaldo Antunes: "Eu não vou, me adaptar, não vou."

(P.s. essa postagem aí de baixo tá "facebookada" demais, vou tirar! rs!)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Se chorei ou se sorri,

O importante é que o mundo não acabou em 2012.

Confesso que eu fiquei dividida entre o "tenho tanta coisa pra fazer inda" e o "não consigo terminar nada mesmo, se acabar pelo menos não terminarei nada e a culpa não será minha". Eu sei, é horrível.

Este ano não farei resoluções, farei promessas. Promessa mesmo,  pra algum santinho bem legal, tipo Santo Expedito. Ia fazer pra São Jorge que é mais cult, mas acho que ele tá muito ocupado sendo ator de novela. Acho legal essa coisa de que Santo Expedito é o Santo das causas impossíveis. Gente, o cara que se propõe a resolver coisas impossíveis merece o mínimo de crédito, né não?


Pois então, a primeira das minhas promessas será terminar tudo o que eu começar. Parar com essa mania irritante de nunca terminar os projetos. Geralmente eu começo com uma empolgação de dominar o mundo e acabo com uma preguiça de hibernar um inverno inteiro. Acabou essa palhaçada. Não importa o que for, sempre terminarei. Pode ser um quebra cabeça de 1.000 peças. (Me lembre de jamais iniciar a montagem de um quebra cabeças de 1.000 peças).

A segunda promessa será não me envolver com os problemas dos outros. Outra mania chata, com tanto problema meu ainda fico preocupada se alguém, que não direi quem pois é só um exemplo e não devo expor as pessoas que se endividam, terá dinheiro para saldar as dívidas que fez. Pararei com isso que não sou Santa Edwiges, que é a Santa dos endividados. Esse tema de santo tá recorrente aqui hein! 

A terceira promessa unirá o corpo ao espírito. Que bonito isso. Ela se resumirá a estudar e emagrecer. 

Quem não tem o que fazer e acompanha esse blog, vai se lembrar que há um tempinho atrás eu postei aqui que emagreci 7 quilos. Pois bem, os filhos pródigos à casa retornaram. Eu nem quero perder os sete não porque fiquei magra naquele naipe que parece que a pessoa precisa de nutrientes, mas quero perder alguns. Perder não, eliminar, porque exceto aquele brinco maravilhoso que agora só restou um do par, tudo o que se perde a gente encontra.
É engraçado que as pessoas ficam: - Que isso, você está óóótima! Mas eu sei muito bem que o estereótipo cintura fina e quadril largo contribui para esta ilusão de ótica e só as calças jeans 38 é que entendem a minha aflição.

Enquanto emagreço, estudarei horrores para passar em um concurso maravilhoso, que me pagará rios de dinheiro, deste modo ficarei rica e magra.

P.s. Caso eu ganhe na Mega da Virada mandarei estas promessas para o espaço e irei para a Polinésia Francesa. 


Gente, feliz 2013!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!




terça-feira, 13 de novembro de 2012

Bagagem.

"A vida é o que a gente leva dela!"
Há muito tempo ouvi essa frase e ela mexeu comigo. Desde então eu costumo pensar a vida como se ela fosse uma mochila, que tá sempre ali, nas costas da gente acumulando coisas.  
Na mochila da vida as coisas ruins de tão mesquinhas são pequenas, mas paradoxalmente pesadas. Tudo fica tão pesado que dá vontade de desistir da caminhada. A vida vira  um fardo difícil de carregar.  
As coisas boas são como balões de gás, ocupam um espaço enorme, mas são levinhas! E quanto mais se acumulam mais a gente fica leve até quase flutuar.
Tem muita coisa que vai pra mochila que são os outros que colocam. Não tem como evitar a decepção de uma mentira, a inveja, o rancor das pessoas. Mas ainda bem, as coisas boas em sua maior parte são produzidas por nós mesmos. Perdoar, sorrir, amar, dançar!
Que no fim as nossas bagagens sejam enormes, e leves! Que a gente seja capaz de olhar pra trás e dizer: Eu faria tudo outra vez!

*Eita que eu tô toda trabalhada na auto ajuda hoje minha gente!

E a música perfeita pra elevar o espírito une toda a paz que o ruivão me transmite elevada ao cubo em sua versão Hare Krishna!
Nando Reis - Mantra.





domingo, 4 de novembro de 2012

Pretérito.



Arrastou a cadeira e sentou-se. Ajeitou os óculos e passou a mão pelos bolsos da calça até encontrar o lenço, já sabendo que seria de grande serventia. Apoiou o envelope sobre a mesa e olhou-o , quase que sem acreditar no que via. Levantou-se e sentou-se diversas vezes até não restar mais desculpas para levantar-se. Havia uma infinidade de itens naquele pequeno cômodo, mas nada fazia-o desviar o olhar do envelope, aquele papel amarelado pelo tempo trazia lembranças que já não eram bem vindas. 
A primeira lágrima caiu, trazendo com ela todos os rancores guardados durante tantos anos. Sabia que não seria fácil encarar o passado, mas não cometeria a covardia de fugir. Olhava fixamente o envelope tentando se lembrar do rosto dela. Já fazia tanto tempo! A imagem aos poucos foi se formando: os cabelos cor de sol, os olhos grandes, sempre procurando pelo que sua capacidade física de enxergar não conseguia, olhos procurantes, olhos incessantes ele dizia.  Por um momento reviveu a sensação que tinha quando a encontrava, a de que, apesar de poder tocá-la, estava cada vez mais longe. O mundo dela era longínquo, e o dele, enraizado naquele pedaço esquecido de mundo como uma árvore centenária.
O dia em que a perdeu se colocou diante dele em toda a sua substância, seus pensamentos o transportaram para a velha estação de trem e o fizeram sentir novamente o imenso vazio que se formou dentro de sua alma, uma vastidão de saudade pela qual caminharia por longos trinta anos. Lembrou-se de haver sentado e chorado, encolhido, em uma tentativa desesperada de desaparecer dentro de si mesmo.Chorou até não conseguir mais verter um pingo de lágrima, levantou-se, apanhou o chapéu que caíra no chão e tratou de ir viver a vida que ainda lhe restava.
Casou-se pouco tempo após a partida dela. Havia uma urgência em esquecê-la. Cumpriu todos os ritos que um homem de bem deve cumprir para que a vida tenha algum sentido.
A esposa em seu leito de morte lhe contara sobre a carta que havia chegado logo após o casamento. Disse-lhe que, sabendo de quem se tratava a mulher que assinava como remetente, tratou de escondê-la em lugar seguro e confidenciou que nunca soube o real motivo de não tê-la queimado, mas que naquele momento sentia um alívio enorme em poder se redimir entregando-a, ainda que isso não fizesse sentido algum.
Não sentiu rancor, pensou que se fosse ele em seu lugar talvez tivesse feito o mesmo. Beijou-a, se despedindo e agradecendo por tê-lo acompanhado na árdua vida que levaram e lamentou nunca tê-la amado como merecia.
Passou por todos os ritos funerais da esposa com o envelope guardado, sentia um peso enorme ao caminhar, como se estivesse carregando trinta anos no bolso da calça, mas recusou-se a abri-lo enquanto Olga não tivesse partido de vez.
E então estava ali, frente a frente com o passado. Passou a tarde inteira mastigando-o , tentando digerí-lo e pareceu que o tempo havia parado de contar. Ao notar o cair da noite pegou o envelope sobre a mesa e notou que suas mãos, enrugadas e castigadas pelo trabalho já não eram as mesmas que acariciavam o cabelos cor de sol, e mesmo que pudesse ler o que havia na carta, a mulher que a escrevera também não era mais a mesma. Decidiu render a última homenagem à esposa, companheira que à sua maneira o fizera feliz, a mulher de cujo ventre saíra  a sua descendência. 
Levantou-se  da cadeira, acendeu seu velho charuto e usou-o para queimar o envelope sem abrí-lo. Enquanto observava o fogo  percebeu a casa vazia, silenciosa. Parou para pensar na ausência de Olga e no vazio no qual mergulhava novamente.

*Um texto meu. (assino e assumo.)

sábado, 1 de setembro de 2012

Então,


A vida está mais doce.
Pessoas,

Fiquei um tempo sem passar por aqui, e tive um motivo. Motivo não, um desmotivo, andei desmotivada mode on!
Começou com essa coisa horrorosa de fazer trinta anos. Aliás, se eu pudesse criar uma regra universal para a vida seria: Ninguém faz trinta anos até que todos os seus sonhos de juventude tenham sido realizados!
Tanta coisa que eu deveria ter feito, sabe? Tantos países pra conhecer, um livro pra escrever, um discurso em prol da humanidade, velejar, dirigir, mochilão pela America do Sul, um mestrado (pelo menos), ser uma diva da música, coisas assim, simplesinhas...
Óbvio que essa coisa de ter uma vida extraordinária é para um em milhões de habitantes do planeta. Imagina bilhões de pessoas tendo vidas extraordinárias? Como lidar com todo esse ego? Mas pelo menos algumas coisas queria ter feito antes dos trinta e não fiz, e isso me deixou mal pacas. E é justamente nesses momentos que a gente pára pra analisar a rotina do ônibus de todo dia e isso doí e piora tudo.
Na verdade, acho que eu só não me joguei da Rio-Niterói em 19 de agosto porque fiz duas coisas de extraordinária magnitude que acabaram deixando a minha balança do "Vale a pena Viver?" mais equilibrada: Encontrei um grande amor e fui mãe da criança mais maravilhosa que já existiu sobre a face da terra.  
(Por favor, analisem essas palavras MariadoBairrorescas com 90% menos de drama. Eu não me contenho.) 
Deste modo, não achei justo usar esse amado bloguinho para lamentações, músicas de fossa e frases existenciais. Preferi me recolher e lidar com isso tudo dentro do meu casulo aguardando que no final, quem sabe, tudo isso servisse pra me transformar em  uma linda borboleta colorida. 
Borboleta colorida não virei, mas também não estou de todo sem cor. Digamos que eu seja uma borboleta furta cor. Encontro cores na vida dependendo do ângulo pelo qual a enxergo e tô escolhendo sempre os melhores ângulos a partir de agora.

bjo!



terça-feira, 21 de agosto de 2012

3.0 veloz e furiosa. (Só que ao contrário)


Domingo, 19, fiz 30 anos. 
Teve samba, teve bolo, dois bolos! E um monte de bolinhos quadradinhos embaladinhos que levei pro bar e chamei de bem bebidos. E teve brigadeiro!
Teve almoço, ou melhor dois almoços, na casa da mamãe e com o pessoal suuuuper do trabalho.
Teve presente! Um moooooonte de presente! Nem com quinze anos ganhei tantos! 
Teve livro salto alto, salto baixo, um sem-número de coisas cheirosas: sabonetinhos, creminhos, perfuminhos, maquiagem, bolsa, vestido, blusa, short, chocolate, lápis engraçados e a té carimbos!
E eu ali no meio de tudo abobalhada, até foto com os presentes na cama fiz (e fiz com gosto tá.)
Teve toda a gente linda da minha vida pertinho de mim e um monte de desejo bom pra espantar a crise. 
Crise? Que crise? Cadê a crise que estava aqui?

Tô de volta! (Tá eu sei, ninguém acredita em mim.)

terça-feira, 29 de maio de 2012

Precisamos falar sobre a Xuxa.

     Dia desses a Xuxa deu uma entrevista ao Fantástico falando sobre abusos sofridos na infância. Acho que todo mundo que não passou férias em Marte ficou sabendo. Muitos riram, outros desmentiram, caçoaram, desconfiaram. De uma história total e completamente possível de ter acontecido com ela e com mais de bilhão de crianças mundo afora no mesmo segundo. 
     Muitos disseram que não acreditaram por ela  já ter dito uma vez que via duendes. E daí? Tem gente que diz que vê santos chorarem, que vê discos voadores (eu mesma já vi, e quem caçoar de mim vou pegar na saída.), que vê fantasmas, que vê deputado trabalhando segunda-feira no Congresso.
     O fato é que ela decidiu enfrentar um trauma extremamente doloroso e por tabela precisou enfrentar a desconfiança nacional. Muitas vezes a criança não conta o abuso por medo de não acreditarem nela, mas para a Xuxa tanto fez contar antes ou agora, não acreditaram do mesmo jeito.
     Muita gente enumerou uma infinidade de poréns para decidir se iria acreditar ou não em uma mulher adulta, independente, que estava alí sabe lá Deus como tentando superar uma violência. Ao ouvir um relato daqueles eu só consigo me consternar e me entristecer, não me resta espaço na mente para nada além disso.
     Ando esses dias com um nó na garganta. Milhares de depoimentos, muitas vezes anônimos, em sites e blogs que trataram do caso pipocam com histórias igualmente semelhantes e pavorosas, pessoas tentando fazer como a Xuxa, só que sem aparecer no Fantástico.
     Tenho sobrinhas de sete e oito anos que precisam ficar com com pessoas que cuidem delas enquanto a minha irmã trabalha. Tenho uma filha de três anos e meio que preciso deixar de  oito e meia da manhã às seis e meia da noite em uma creche pra que eu consiga trabalhar. Neste momento a única coisa que eu gostaria de fazer é colocá-las em uma redoma segura e intransponível até que passem por esse momento tão frágil e inseguro quanto é a infância.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Segunda -feira

Segunda-feira serei outra pessoa. Na segunda farei dieta, controlarei carboidratos e contarei calorias, serei voluntária em alguma ong caça-níquel e colocarei este fato no meu currículo. Na segunda não irei maldizer aqueles que me atazanam a vida, não chegarei atrasada (seja lá onde for) e não falarei enquanto estiver comendo - tampouco colocarei os cotovelos sobre a mesa. Na segunda me vestirei apropriadamente, não misturarei estampas e usarei cores pastéis. Como são dignas as pessoas que usam tons pastéis! A gente fica um tanto quanto... pastel! Na segunda farei um check up, descobrirei que além de carboidratos também não poderei comer gorduras, nem a do pastel! Na segunda beberei 2 litros de água e farei caminhada. São muito dignas as pessoas que fazem caminhada! Não para ficarem bonitas, mas para fazer bem aos seus corações (e não basta apenas amar e ser amados?). Na segunda defenderei uma causa justa (pode ser própria?), e plantarei uma árvore. Segunda feira, se chover não dançarei na chuva, abrirei meu guarda-chuva preto e caminharei cabisbaixa (nem nas pocinhas de água pisarei para que façam barulho). Segunda não vou ver televisão aberta, verei um filme cult e não entenderei nada sobre ele (mas farei cara de que sim).Na segunda medirei as palavras e não darei gargalhadas, serei comedida e discreta. Segunda feira entregarei todos os relatórios e planilhas no prazo e pouparei dinheiro. Segunda sem falta vou resolver todos os meus problemas, realizar todos os meus sonhos e escrever um best seller.






E ao chegar o fim do dia rezarei baixinho para que chegue logo a terça, e eu possa ser feliz novamente.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Ai como eu adoro o verão.

É no verão que um terrível monstro fantasmagórico e amedrontador chega para tirar a minha paz: O biquíni.
Ele passa o ano todo lá, escondido no fundinho da gaveta de calcinhas, no escuro, só esperando a hora de se libertar para me assombrar. É quando ele se apodera do meu corpo para me fazer lembrar que o pneuzinho Pirelli está ali, basta amarrar o maldito lacinho.
Mas a gente encara, amarra dali, aperta daqui faz o carão e vai! E se alivia (muito) quando chega na praia e vê que 80% está pior que você. Que má que eu sou. há.
***-***
Ir à praia.
O que antes de ser mãe era só colocar um biquininho um dinheiro no bolso e sair, agora se transformou em um processo de armazenagem e logística.
As pessoas devem olhar a minha bolsa e achar que eu tô indo pro Sertão Nordestino passar três anos, ou que eu estou armazenando suprimentos para uma guerra iminente, ou para esperar a passagem de um furacão dentro de algum porão.
Mas pior que levar 3.485 itens de "sobrevivência" para a praia, é cair na real de que quando a criança precisa ir ao banheiro eles não valem de nada.
Sem mais.
***--***
Lembra que eu falei sobre 80% das mulheres estarem pior que você? Pois é, sobraram os 20% de desocupadas que malham o dia inteiro, gastam tubos com tratamentos estéticos e que resolvem se bronzear bem em frente aquele lugarzinho que você suou tanto pra conseguir fincar o seu guarda sol.
Eu tenho uma tática de guerra pra espantar estes galináceos inconvenientes:
Começe a brincar com seu filho(a) ensandecidamente, joguem bola, frescobol, deem uma de loucas e sacudam a canga levantando bastante areia, aquela farofada toda até que ela se dê conta de que aquele não é o lugar ideal para tostar o popozão e caia fora. Depois podem voltar à elegância de sempre.
Uá-rá-rá-rá-rá. Muito má.
***---***
Eu adoro o verão. Juro que gosto! rs!

sábado, 28 de janeiro de 2012

Festa!

Em dezembro fizemos uma festa pra comemorar os 3 aninhos da Cecília. Um salão lindo, buffet, decoração, garçons e tudo mais.
No meio da festa Cecília trocou um vestido floral lindo por outro de Cinderela, e fez aquela entrada triunfal no salão acompanhada por uma Cinderela "de verdade" - segundo palavras da própria Ciça - até chegar ao centro do salão em que as duas Cinderelas fizeram uma dança real sob aplausos dos convidados.
A atriz fazia os movimentos, os acenos, os rodopios, os cumprimentos e Cecília repetia tudo (sem ensaio anterior), uma coisa linda!
Apesar de achar que estas festas em buffet infantil ficam muito padronizadas e sem borogodó, me rendi ao discurso de "vá como convidada" e "não se preocupe com nada", já que no ano passado eu parecia um zumbi cansado e estressado como vocês podem relembrar aqui.
Ficamos muito felizes, mas depois fiquei pensando... Essa era a festa que eu sonhava pros meus 15 anos!
Mentira, eu nem sonhava com isso tudo, no meu sonho nem tinha "Cinderela de verdade"! rs!
Se a minha festa de 15 (que ficou só no sonho por falta de verba) Cecília teve aos 3, quando chegar aos 15 vai querer descer de helicóptero no Maracanã!
E o problema nem é o dinheiro, já que até lá terei dado muitas aulas de História e estarei rica. O problema é o ego inflado, o nariz em pé, tudo o que eu não quero que a minha filha tenha.
A vida está muito superlativa, guiada pela filosofia do muito,do consumo, do grandioso e a gente está perdendo a mão...
Minha meta atual é deixar a minha princesinha sonhar, sem tirar o pé da realidade! Fazê-la compreender os sacrifícios que se faz por ela, o valor das conquistas, e a necessidade de lutar e trabalhar muito pra conseguir realizar os sonhos.
Olha como ela ficou toda trabalhada na realeza:

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Mãezices - Fralda, porque me abandonaste?







O bebê usa fraldas e você odeia isso. Você odeia sentir aquele cheirinho e ter que abrir aquele pacotinho já sabendo o que vai encontrar lá dentro. Primeiro filho então é pior, a gente ainda não lida bem com esses assuntos escatológicos, a gente ainda está com aquela idéia de que cocô é uma coisa abstrata, que na realidade realidade mesmo, não existe.
E aí você se depara com a necessidade de, além de ter que olhar para o cocô do neném, ter que analisar. Sim, porque nas consultas com o pediatra sempre tem aquela pergunta: -Como está o cocô?
E apesar da imensa vontade de dizer: -Vai bem, obrigado.
E mudar de assunto:
-Tá lindo o dia hoje, né?
A gente tem que dizer se tá assim, se tá assado, mole demais, duro demais. Ou seja: Em relação ao grau de ninguémmerecismo da vida, ter que analisar um cocô está mais ou menos no grau 9.
Aí a criança larga a fralda e você acha que todos os seus problemas "se acabaram-se", mas não.
Você está linda e bela comendo uma comida maravilhosa em um restaurante e a criança diz: -Quero fazer cocô!
Você larga tudo e vai atrás de um banheiro, rezando muito para que não aconteça nenhum acidente no meio do caminho, encontra o banheiro, entra porta adentro desesperada gritando:
-Nããããão põe a mão em nada!
E pega papel pra forrar o vaso, e segura a criança pra não cair lá dentro, o paraíso.
Esses dias entrei com Cecília no banheiro de um restaurante, um calooooooor de matar e Cecília gosta de conversar no banheiro. Ela não chega faz o serviço e sai, tem que conversar. Falar das Princesas, da Tia da escolinha, e por aí vai. E eu lá, um calor danado, tendo que segurar aqueles vinte quilos de belezura enquanto ela tagarelava. Pra piorar a luz tinha sensor de movimento, se ficasse paradinha ela apagava e ficava tudo um breu, com direito a escândalo da criança que morre de medo de escuro.
A cena final era eu suando bicas, segurando Cecília com um braço e balançando o outro para que a lâmpada não apagasse. O paraíso ao quadrado.
Outro dia era eu no Shopping, estilo Julia Roberts em 'Uma linda mulher', experimentando vááários vestidos e saindo do provador pra mostrar a belezura. Um belo momento saio eu toda prosa:
-E aí gente ficou bonito?
Marido: -Tá lindo!
Cecília: -Quero fazer cocô.
Meu glamour foi abaixo de zero.
Tirei o vestido às pressas e lá fui eu em busca do banheiro perdido. Ninguémmerecismo grau 10.

Há muitos momentos em que o inimaginável acontece: A gente sente saudades da fralda, aquele pacotinho, que nos permitia tranquilamente encontrar um lugar tranquilo e calmo pra encarar o limpa-limpa.






sábado, 29 de outubro de 2011

Modices

Não sigo a moda, mas não me falta-me o glamour!

Se existe uma coisa para a qual eu não sirvo é para seguir modas. Primeiro porque como boa pessoa "disquerda" que sou, acho que a moda é um mecanismo criado pelo sistema para controlar as nossas mentes. Segundo porque eu tenho bom senso e sei que a maioria das coisas que entram na moda só servem nos cabides que desfilam pelas passarelas mundo afora.

Acabo não saindo do estilo "entrei-num-vestidinho-e-saí" por pura falta de compatibilidade entre os modelitos que vejo nas vitrines e a minha pessoa.
Quer um exemplo? Calça saruel. Vejo as pessoas com aquele pano todo sobrando lá nas partes baixas e só penso em duas coisas:

-Coitada! Não deu tempo de chegar ao banheiro...

-Preciso puxar isso pra cima, preciso puxar isso pra cima, preciso puxar isso pra cima (...).

No último inverno aqui no Rio convencionou-se que todas as mulheres deveriam seguir o estilo romantiquinho. Pessoal leva ao pé da letra, sabe como é né?!

A mulherada saia na rua com saia de cintura alta, de babadinhos e blusa de florzinhas com manga bufante! Só conseguia pensar em uma coisa:

Bolo de quinze anos.

Junto com o estilo romântico, que as cariocas transformaram em Romântico-Periguete, já que era tudo sempre muito justo e curto (nem posso falar mal já que há um periguetismo inerente às minhas roupas hehehe), veio a moda dos saltos altíssimos! Uns sapatos fechados com um salto que mais parece perna de pau. Reparem que nem ao menos sei o nome do sapato, seria peep toe? scarpin? Me falaram que é meia-pata, mas eu me recuso a acreditar.

Não rola subir num troço daqueles e depois ter que andar. Ou eu estou com um sapato daqueles ou eu ando, as duas coisas não dá pra fazer.

E não existe nada menos phyno que mulher se desequilibrando pelas tabelas em cima de salto alto. Desta forma apesar de achar lindos, não aderi a moda dos tais sapatos. Não compatibilizou

O verão é a minha redenção! Vestidinhos viram hit e eu saio toda toda, me sentindo super na moda, super fashionista, mando beijos para Valentino!

domingo, 16 de outubro de 2011

Um conto pra chamar de meu.

Ciranda

Duas da manhã e nada. O chão quase furava de tanto andar de um lado para outro. Unhas não existiam mais e, ao passar pelo reflexo do vidro da porta, percebeu que parecia ter levado um soco em cada olho, de tão escuras as olheiras que lhe emolduravam o olhar. Aquele mesmo olhar pelo qual tanto já havia recebido elogios.
-Marisa, você sorri com os olhos!
Dizia um amigo querido, sempre que a vi sorrir.
-Usa um lápis preto Marisa! Ressalta a beleza dos seus olhos!
Recordou-se daquela amiga que não desgudava dela mas que, se a visse hoje, não a reconheceria.
Ela mesmo não se reconhecia naquele reflexo. Ficou ali parada, tentando se lembrar dos caminhos que a fizeram estar naquele cubículo fétido, com a vida arruinada e o corpo em frangalhos.
A infância fora pobre, mas feliz. Ao lembrar, chegava a sentir os cheiros que lhe traziam tantas boas lembranças:

O aroma da grama pisada, que impreganava na roupa depois de correr pelo quintal, o cheiro da terra molhada que se misturava ao dos bolinhos de chuva que a avó fazia como que um prêmio de consolação, por não poder sair pra brincar em dia chuvoso. Lembrou-se de como gostava de comer por último, e passar os dedos pelo prato ainda sujo pelos restinhos de áçucar e canela.

Lembrou-se das cantigas de roda, que ecoaram pelos seus ouvidos, e quando deu por si estava alí, envolta na magia daquela cantiga.




A menina que ela havia sido apoderara-se daquele corpo maltratado e a fazia planar, girar e cantar em meio aquele caos que a circundava.
-Ciranda cirandinha vamos todos cirandar...♫

Cantava cada vez mais alto, girava cada vez mais rápido na esperança de voltar no tempo com a força do pensamento. Esgotada, entregou-se exausta ao chão, caiu em um pranto intenso e adormeceu.

Despertou abruptamente com o barulho de batidas na porta, tentou se levantar, se recompor. Saiu pisando em cacos de vidro, restos de comida e cinzas de cigarro até alcançar a porta. Ao abrí-la se deparou com aquele rosto conhecido, aquele homem que entrara em sua vida como um amigo quando chegou à cidade, muitas vezes já recebera seu corpo em troca da droga que lhe tomara a vida. Pediu que a esperasse, foi ao quarto, pegou todo o dinheiro que lhe restava, as chaves do apartamento, único bem que possuía e entregou.
-Pode ficar com tudo, isto encerra a minha dívida.
Saiu sem lhar para trás. Perguntada para onde ia respondeu:
-Estou voltando pra casa.

Na janela do ônibus a paisagem de concreto dava lugar à imensidão verde que a levaria de volta. Adormeceu cantarolando.

-Ciranda Cirandinha vamos todos cirandar...♫♫♫

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Essa é a minha vida. Esse é o meu clube.

Parem as máquinas, rufem os tambores, dançem na boquinha da garrafa.
Estamos de volta!!!!!!!!!

Após um enorme recesso, muita promessa de dar cabo a esse amado bloguinho (já que meu tempo está mais escasso que concordância verbal em letra de funk), a saudade foi maior que tudo (ai gente que lindo isso, né?!) e "eu voltei, agora pra ficar, porque aqui, aqui é meu lugar..." (ir de lindo pra brega em 3 segundos, não tem preço.) ♥

Depois desses quase dois meses em uma volta ao meu próprio mundo, refleti e cheguei a algumas conclusões que devo deixar aqui, pois as mudanças internas foram de uma grandeza tamanha que eu me vejo na obrigação de tentar acalmar corações aflitos pelos quatro cantos desse mundo internético.

Questões financeiras:
A gente vive escutando que dinheiro não traz felicidade e blablablabla. Dito isto vamos aos fatos:

Você precisa de dinheiro pra comer, pra se vestir e pra ter um lugar pra morar. Certo? Pois bem. Então me digam quem seria feliz nesta vida estando pelado, com fome e dormindo na chuva.

Pois é. Então nada de ficar se achando supérfulo só porque quer comprar aquela sandália de cristais swarovski, ou aqueles 30ml de perfume a 300 reais que você acha suuuuuuuper legais, nada de ficar se achando um tentáculo do monstro do capitalismo, nada disso. Desde que o dinheiro seja seu, faça o que quiser com ele

Questões trabalhisticas:
No trabalho ame quem você deveria odiar e odeie quem você deveria amar.
Expliquemos:
Sabe aquela pessoa que é toda sorrisinhos, toda simpatiquinha, toda cheia de nhém nhém nhém? Na maioria das vezes é falsa e na primeira oportunidade vai puxar o seu tapete, o seu sofá e a sua mesinha de centro.
Já aquela pessoa que demonstra quando tá puta da vida, que costuma te dizer o que você fez de errado, e que está quase sempre com cara de c*, geralmente é a mais sincera, portanto ame-a. Eu sei que é difícil, mais faz um esforço!



Questões emocionais:
Você é um dentre bilhões de seres humanos na face desta terra, então a menos que você seja brilhante e descubra uma vacina contra alguma doença terrível, você não faz a menor diferença para bilhões de pessoas. Você não é tão importante quanto acha que é. Então pega esse ego queima em praça pública, tenta descobrir quais são a meia dúzia de pessoas que realmente se importam contigo e faça tudo por elas, pois são as únicas que estarão do seu lado quando você voltar às fraldas (isso mesmo. às fral-das.)

Questões maternais:
Quanto a isso não posso ajudá-los. Eu preciso urgente de uma pós graduação em criação de filhos. Urgeeeeeeenteeeeeee!!!!!
Sente o naipe do meu grau de maturidade na criação de filhos nesta transcrição de um diálogo com a minha filha:

-Cecília, não faz isso!
-Cecília não pode fazer isso!
-Cecília pára com isso!
-Se você fizer isso eu não vou mais ser sua amiga.
Ai minha nossa senhora das super nanys!

Questões amorosas:
Quando a gente ama fica mais bonita, mais feliz, mais saltitante, mais suspirante e... Aaaaaaaai, aaaaaai! Muito bom né?
Errrrr.... Voltando.
A única coisa que não faz bem nesse negócio de amar é não ser correspondido. Então seja correspondido sempre. Faça a pessoa corresponder na marra se for preciso, mas nada de ficar pelos cantos fazendo mal me quer, bem me quer. Nada de ficar ouvindo good times 98 e chorando, nada de ficar querendo se jogar da ponte Rio-Niteroi, que isso não é phyno, não faz bem pra pele.

Então é isso pessoas, estou de volta pro meu aconchego, trazendo na mala bastante saudade.

sábado, 23 de julho de 2011

Amy,



Nem dá pra ficar chocada, era uma morte anunciada. Todos já sabíamos que ela iria cedo, os motivos e até de que maneira seria encontrada.

Fica a tristeza de saber que assistimos a morte lenta de alguém tão talentoso. Ela estava lá, nos palcos, morrendo pra platéias inteiras, pra milhares de pessoas. Morria enquanto a fotografavam caindo pelos cantos de um bar qualquer ou se drogando.

Assistimos a lenta degradação de uma preciosidade de cantora e apenas esperávamos pelo seu fim.

Fica a tristeza de não ter ido a um show, mas pelo menos não a vi morrendo ao vivo, mais uma na platéia.

Fica a curta obra, a diva, o mito.


quinta-feira, 14 de julho de 2011

AI-5 DA PEDAGOGIA

Cecília tá revolucionária. Tá cheia de nãos, de argumentações, de mas mas mas. E eu tô chegando à conclusão de que a minha criação está permissiva demais, lenta demais, explicadinha demais. Então a partir de hoje está instaurado nesta casa, o AI-5 da pedagogia.

Vamos parar com esse nhém-nhém-nhém castigo de dois minutinhos, de dizer porque é que não pode, de infindáveis explicações sobre certo e errado, porque até onde eu sei, incontáveis gerações de crianças, eu inclusive, foram educadas quando ainda não era moda a tal da pedagogia e todo mundo cresceu bem mais educado que esse monte de monstrinhos que a gente vê por aí hoje em dia, quase batendo nos pais.


De bater não tenho coragem, não tenho estrutura psicológica suficiente para causar dor em um serhumanozinho propositadamente, então pelos menos as regras serão como as do Arnaldo César Coelho: CLARAS.

E o AI-5 pedagógico começará pelos desenhos animados. Cheguei à conclusão de que uma aparentemente indefesa garotinha chamada Lola (Do desenho Charlie e Lola), está colaborando com a impetuosidade da minha antes doce e serena Cecília. cof,cof. Saca os nomes dos episódios:

"Eu nunca vou comer tomate na minha vida"
"Só existe um sol, e é claro que sou eu"
"Eu gosto do meu cabelo exatamente do jeito que ele é"
"Eu estou mais que ocupadíssima!"

Vô proibir esse DVD! Ditadura Desenhística djá!
rs!
TÔ GATA?

sábado, 2 de julho de 2011

Notícias do front.


Do lado de cá a luta continua. Severa, pela sobrevivência e só os fortes sobrevivem.
A minha maior luta atualmente é pela leveza, nesta rotina pesada na qual eu me afundei nos últimos tempos. Se o ônibus está lotado me pego a analisar os passageiros, tento adivinhar suas histórias.
Estes dias notei que uma moça sorria. Assim, sem motivo algum, olhava pela janela e sorria. Fiquei imaginando mil roteiros para aquele sorriso tão sinceramente alegre, às oito e meia da manhã de uma terça-feira...
Ultimamente luto também por propósitos. Pra qualquer coisa que eu faça, tento encontrar um propósito, um bom motivo para estar fazendo aquilo. Tudo fica um tanto menos pior. E, ainda bem, há dois anos e meio tive uma filha, que é sempre o propósito maior, a razão, o fim para o qual todos os meios se justificam.
Estou trabalhando em um lugar com a maior quantidade de figuraças por metro quadrado de todo o planeta terra e não posso escrever sobre elas, porque, né? É trabalho, e a gente não deve caricaturar as pessoas do trabalho na internet.
Ou deve?
(Anjinho: 1 X Diabinho: 1 )
Penso no blog o tempo todo, ele pra mim é tipo um filho, e pensando por esta lógica, eu tenho sido uma mãe extremamente desnaturada nos últimos tempos. Várias vezes penso em textos inteiros para escrever aqui e eles simplesmente de-sa-pa-re-cem quando eu sento em frente ao computador pra escrever.
Sendo assim, comprei um caderninho, para que eu dê um 'Control S' nestes textos e possa postá-los quando sobrar um tempinho.
Palmas para o caderninho!
Aliás, tempo, porque me abandonaste?
Depois de tudo o que eu fiz por você?!
(Maria do Bairro canta pra subir)
Gente, tempo pra mim tá mais valioso que o diamante azul do Titanic. Entro em casa na sexta e dez minutos depois tô vendo Zeca Camargo e Renata Ceribelli perdendo peso no Fantástico. As 10.631 coisas que eu planejava fazer no fim de semana ficaram só no campo do projeto mesmo, inclusive escrever no blog...
Cecília (não posso deixar de falar deste amor arrebatador) me surpreende todos os dias com uma coisa nova. Não consigo nem acompanhar. Mas é uma esperteza, um raciocínio lógico, um poder de convencimento que me tira o chão. Chego a pensar em encontrar técnicas para DESdesenvolver esta criança. Sempre odiei aqueles mini-adultos no estilo Maísa, que sabem de tudo, perguntam tudo, crianças sem inocência de criança. Mas acho que não dá pra lutar contra. Essa geração está sendo bombardeada de informações, coitados, só os resta depreender e nos surpreender!
Ainda bem que a fofurice vem na mesma proporção! E ela me embriaga de encantamento quando diz de supetão: - Mamãe, eu te amo muitão!
Fora isso, tô na crise da trintona balzaca sem ter mesmo chegado aos vinte e nove. Acho que me deixei levar pela precocidade de Cecília...
Tomei a primeira decisão da mulher de trinta anos aos vinte e oito: Não engulo mais sapos. Mais nem que eles venham cobertos de caviar. É claro que não vou me indispor com ninguém a menos que seja estritamente necessário, não é da minha natureza, e além do mais, o Renew tá muito caro! E vocês sabem né, a gente vai chegando aos trinta... Melhor prevenir as ruguinhas.

Inté.

domingo, 29 de maio de 2011

Pacadaio.

Estou abraçando uma causa nobre: A não extinção do pacadaio!

Pacadaio, que os humanos adultos costumam chamar de papagaio, é o único verbete que Cecília ainda pronuncia errado.

A passagem do 1 para os 2 anos foi marcada por mudanças abruptas neste pequeno serzinho. O meu bebê foi-se embora, e isso foi mais pavorosamente perceptível pra mim, na questão da fala. A bichinha fala de tudo, bem explicadinho, letra por letra, com as devidas concordâncias e plurais, uma oratória de fazer inveja a político.

Mas o pacadaio permanece, e toda vez que ela vê a revistinha que tem lá a tal figura da ave ela solta: - Olha mãe! Um pacadaio!

E eu olho pra ela e vejo o meu bebê. Longe, longe, mas vejo.

*Carência de bebezinho mode on.*

Aceitamos indicações de simpatia pra curar carência.

rs!

Inté!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Eu Sinto Falta.

Eu sinto falta da minha mãe me cobrando que finalize as coisas, que não deixe nada inacabado

Eu sinto falta da minha mãe dizendo que vai ficar tudo bem, que tudo passa, que a vida é assim mesmo, que eu vou conseguir.

Eu sinto falta da minha mãe quando tenho que dizer pra Cecília que ela deve comer direitinho, ou que não deve responder a tia do colégio, ou que tem que dividir o lanche e o brinquedo com os coleguinhas, porque a impressão que me dá é que eu nunca, nunca vou ter a mesma autoridade que ela tinha.

Eu sinto falta da minha mãe me dizendo com quem eu não deveria andar, ou a que horas eu deveria voltar pra casa. Ai, nunca achei que iria desejar alguém controlando a minha vida, é tão difícil controlar a própria vida, né?

Eu sinto falta até das broncas, porque hoje eu compreendo tanto...

Alías, eu preciso dizer isso pra ela!

-Mãe, hoje eu te compreendo tanto. Ainda dá tempo?

Eu sinto falta da minha mãe, como nunca antes na história da minha vida.

Acho que é porque cada vez se aproxima mais o momento em que eu terei que cuidar e me responsabilizar por ela... (se a dona Inês lê isso me mata! Toda trabalhada no Renew do jeito que é! - Avon: Favor pagar merchand. rs!).

Só sei que é uma falta que não está ligada a presença física, sabe? É falta da onipresença dela, aquilo que a gente sente quando é criança, impressão de que a mãe da gente é o centro do universo (do nosso pelo menos).

Então é isso. Estou em um momento "Velocidade 5 na Dança da Carência Materna".



Inté.


quinta-feira, 19 de maio de 2011

Todo dia ela faz tudo sempre igual.


Rotina me define.
Essa vida de acorda-trabalha-dorme-acorda-trabalha não é de Deus não! Isso é coisa do tinhoso, do coisa ruim.

Cadê a poesia? Tem que ser Chico Buarque de Holanda pra conseguir espremer poesia disso aí. Não é à toa que meu amor por ele aumentou tanto ultimamente...



Cadê o borogodó da vida gente? Cadê o flash? Cadê o glamour?

A vida aí, essa coisa rara que morreu cabô e a gente torcendo pra semana acabar logo, pra chegar fim de semana, fim de mês. Pode-uma-coisa-dessa?

As moscas só deixarão de pairar sobre este blog quando a rotina e o frio me afetarem menos. Tá um frio congelante no Rio, tipo 19 graus! (Pessoal do Sul cai na gargalhada).

Inté.

sábado, 7 de maio de 2011

Dia das Mães - O Coração Gigante

Ontem, chegando na festinha do maternal na escolinha da Cecília, eu me deparei com um Coração Gigante. Literalmente. Uma pessoa vestida de coraçaozão de pelúcia.


Tudo era o delicioso caos de festinhas no pré escolar. Crianças correndo e gritando, mães trocando figurinhas, falando sobre como os seus filhos estão lindos, inteligentes, fofos, espertos e tudo aquilo que cada uma acha que o seu filho é muito mais que todos os outros filhos do mundo.
E ele continuava lá. O Coração Gigante. Passeando no meio do caos, sereno e tranquilo, como quem quer dizer: -Gente, eu tô aqui ó! Eu sou o amor, e vocês só estão aqui hoje por minha causa!


A diretora da escola é aquela que, coitada, tenta colocar ordem no caos. Às vezes consegue, às vezes não, faz parte. Um doce de pessoa que fica lá, igualzinho ao coração: Uma serenidade no meio do caos.


É uma delícia observar estes momentos.


As mães, bem arrumadas, perfumadas, maquiadas, orgulhosas. As crianças eufóricas, tentam mostrar para as mães que são mesmo únicas dentre todas as crianças do mundo. E por isso fazem mais algazarra que de costume, falam e gritam mais que de costume, se mostram mais que de costume. E a gente ama! E fotografa! E admira! E se orgulha!


E ele continuava lá, o Coração Gigante. E eu não conseguia tirar os olhos dele. E parar de pensar na idéia que, por mais brega que possa parecer, acertou em cheio no que queria representar: Um amor gigante. O maior de todos. O que, me desculpem os outros amores, é a mais linda forma de amar que existe.
 
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