sábado, 29 de outubro de 2011

Modices

Não sigo a moda, mas não me falta-me o glamour!

Se existe uma coisa para a qual eu não sirvo é para seguir modas. Primeiro porque como boa pessoa "disquerda" que sou, acho que a moda é um mecanismo criado pelo sistema para controlar as nossas mentes. Segundo porque eu tenho bom senso e sei que a maioria das coisas que entram na moda só servem nos cabides que desfilam pelas passarelas mundo afora.

Acabo não saindo do estilo "entrei-num-vestidinho-e-saí" por pura falta de compatibilidade entre os modelitos que vejo nas vitrines e a minha pessoa.
Quer um exemplo? Calça saruel. Vejo as pessoas com aquele pano todo sobrando lá nas partes baixas e só penso em duas coisas:

-Coitada! Não deu tempo de chegar ao banheiro...

-Preciso puxar isso pra cima, preciso puxar isso pra cima, preciso puxar isso pra cima (...).

No último inverno aqui no Rio convencionou-se que todas as mulheres deveriam seguir o estilo romantiquinho. Pessoal leva ao pé da letra, sabe como é né?!

A mulherada saia na rua com saia de cintura alta, de babadinhos e blusa de florzinhas com manga bufante! Só conseguia pensar em uma coisa:

Bolo de quinze anos.

Junto com o estilo romântico, que as cariocas transformaram em Romântico-Periguete, já que era tudo sempre muito justo e curto (nem posso falar mal já que há um periguetismo inerente às minhas roupas hehehe), veio a moda dos saltos altíssimos! Uns sapatos fechados com um salto que mais parece perna de pau. Reparem que nem ao menos sei o nome do sapato, seria peep toe? scarpin? Me falaram que é meia-pata, mas eu me recuso a acreditar.

Não rola subir num troço daqueles e depois ter que andar. Ou eu estou com um sapato daqueles ou eu ando, as duas coisas não dá pra fazer.

E não existe nada menos phyno que mulher se desequilibrando pelas tabelas em cima de salto alto. Desta forma apesar de achar lindos, não aderi a moda dos tais sapatos. Não compatibilizou

O verão é a minha redenção! Vestidinhos viram hit e eu saio toda toda, me sentindo super na moda, super fashionista, mando beijos para Valentino!

domingo, 16 de outubro de 2011

Um conto pra chamar de meu.

Ciranda

Duas da manhã e nada. O chão quase furava de tanto andar de um lado para outro. Unhas não existiam mais e, ao passar pelo reflexo do vidro da porta, percebeu que parecia ter levado um soco em cada olho, de tão escuras as olheiras que lhe emolduravam o olhar. Aquele mesmo olhar pelo qual tanto já havia recebido elogios.
-Marisa, você sorri com os olhos!
Dizia um amigo querido, sempre que a vi sorrir.
-Usa um lápis preto Marisa! Ressalta a beleza dos seus olhos!
Recordou-se daquela amiga que não desgudava dela mas que, se a visse hoje, não a reconheceria.
Ela mesmo não se reconhecia naquele reflexo. Ficou ali parada, tentando se lembrar dos caminhos que a fizeram estar naquele cubículo fétido, com a vida arruinada e o corpo em frangalhos.
A infância fora pobre, mas feliz. Ao lembrar, chegava a sentir os cheiros que lhe traziam tantas boas lembranças:

O aroma da grama pisada, que impreganava na roupa depois de correr pelo quintal, o cheiro da terra molhada que se misturava ao dos bolinhos de chuva que a avó fazia como que um prêmio de consolação, por não poder sair pra brincar em dia chuvoso. Lembrou-se de como gostava de comer por último, e passar os dedos pelo prato ainda sujo pelos restinhos de áçucar e canela.

Lembrou-se das cantigas de roda, que ecoaram pelos seus ouvidos, e quando deu por si estava alí, envolta na magia daquela cantiga.




A menina que ela havia sido apoderara-se daquele corpo maltratado e a fazia planar, girar e cantar em meio aquele caos que a circundava.
-Ciranda cirandinha vamos todos cirandar...♫

Cantava cada vez mais alto, girava cada vez mais rápido na esperança de voltar no tempo com a força do pensamento. Esgotada, entregou-se exausta ao chão, caiu em um pranto intenso e adormeceu.

Despertou abruptamente com o barulho de batidas na porta, tentou se levantar, se recompor. Saiu pisando em cacos de vidro, restos de comida e cinzas de cigarro até alcançar a porta. Ao abrí-la se deparou com aquele rosto conhecido, aquele homem que entrara em sua vida como um amigo quando chegou à cidade, muitas vezes já recebera seu corpo em troca da droga que lhe tomara a vida. Pediu que a esperasse, foi ao quarto, pegou todo o dinheiro que lhe restava, as chaves do apartamento, único bem que possuía e entregou.
-Pode ficar com tudo, isto encerra a minha dívida.
Saiu sem lhar para trás. Perguntada para onde ia respondeu:
-Estou voltando pra casa.

Na janela do ônibus a paisagem de concreto dava lugar à imensidão verde que a levaria de volta. Adormeceu cantarolando.

-Ciranda Cirandinha vamos todos cirandar...♫♫♫

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Essa é a minha vida. Esse é o meu clube.

Parem as máquinas, rufem os tambores, dançem na boquinha da garrafa.
Estamos de volta!!!!!!!!!

Após um enorme recesso, muita promessa de dar cabo a esse amado bloguinho (já que meu tempo está mais escasso que concordância verbal em letra de funk), a saudade foi maior que tudo (ai gente que lindo isso, né?!) e "eu voltei, agora pra ficar, porque aqui, aqui é meu lugar..." (ir de lindo pra brega em 3 segundos, não tem preço.) ♥

Depois desses quase dois meses em uma volta ao meu próprio mundo, refleti e cheguei a algumas conclusões que devo deixar aqui, pois as mudanças internas foram de uma grandeza tamanha que eu me vejo na obrigação de tentar acalmar corações aflitos pelos quatro cantos desse mundo internético.

Questões financeiras:
A gente vive escutando que dinheiro não traz felicidade e blablablabla. Dito isto vamos aos fatos:

Você precisa de dinheiro pra comer, pra se vestir e pra ter um lugar pra morar. Certo? Pois bem. Então me digam quem seria feliz nesta vida estando pelado, com fome e dormindo na chuva.

Pois é. Então nada de ficar se achando supérfulo só porque quer comprar aquela sandália de cristais swarovski, ou aqueles 30ml de perfume a 300 reais que você acha suuuuuuuper legais, nada de ficar se achando um tentáculo do monstro do capitalismo, nada disso. Desde que o dinheiro seja seu, faça o que quiser com ele

Questões trabalhisticas:
No trabalho ame quem você deveria odiar e odeie quem você deveria amar.
Expliquemos:
Sabe aquela pessoa que é toda sorrisinhos, toda simpatiquinha, toda cheia de nhém nhém nhém? Na maioria das vezes é falsa e na primeira oportunidade vai puxar o seu tapete, o seu sofá e a sua mesinha de centro.
Já aquela pessoa que demonstra quando tá puta da vida, que costuma te dizer o que você fez de errado, e que está quase sempre com cara de c*, geralmente é a mais sincera, portanto ame-a. Eu sei que é difícil, mais faz um esforço!



Questões emocionais:
Você é um dentre bilhões de seres humanos na face desta terra, então a menos que você seja brilhante e descubra uma vacina contra alguma doença terrível, você não faz a menor diferença para bilhões de pessoas. Você não é tão importante quanto acha que é. Então pega esse ego queima em praça pública, tenta descobrir quais são a meia dúzia de pessoas que realmente se importam contigo e faça tudo por elas, pois são as únicas que estarão do seu lado quando você voltar às fraldas (isso mesmo. às fral-das.)

Questões maternais:
Quanto a isso não posso ajudá-los. Eu preciso urgente de uma pós graduação em criação de filhos. Urgeeeeeeenteeeeeee!!!!!
Sente o naipe do meu grau de maturidade na criação de filhos nesta transcrição de um diálogo com a minha filha:

-Cecília, não faz isso!
-Cecília não pode fazer isso!
-Cecília pára com isso!
-Se você fizer isso eu não vou mais ser sua amiga.
Ai minha nossa senhora das super nanys!

Questões amorosas:
Quando a gente ama fica mais bonita, mais feliz, mais saltitante, mais suspirante e... Aaaaaaaai, aaaaaai! Muito bom né?
Errrrr.... Voltando.
A única coisa que não faz bem nesse negócio de amar é não ser correspondido. Então seja correspondido sempre. Faça a pessoa corresponder na marra se for preciso, mas nada de ficar pelos cantos fazendo mal me quer, bem me quer. Nada de ficar ouvindo good times 98 e chorando, nada de ficar querendo se jogar da ponte Rio-Niteroi, que isso não é phyno, não faz bem pra pele.

Então é isso pessoas, estou de volta pro meu aconchego, trazendo na mala bastante saudade.
 
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