
Agradecimento: Dodocaricaturas.blogspot.com
Era um tempo bom em que os namoros começavam com o primeiro beijo, que demoraaaaava pra acontecer!
Geralmente acontecia naquela festinha americana, onde os meninos levavam a bebida e as meninas levavam doce ou salgado (e tinha uma amiga que sempre levava torta de sardinha, e quando ela chegava alguém dizia: lá vem a sardinha!).
A gente bebia guaraná Simba, a oitava maravilha do mundo moderno. Vez ou outra sentia-se alguma coisa meio misteriosa no ar. Era alguém em um canto qualquer fumando ou bebendo cerveja, e aquilo virava assunto pra semana inteira.
Ouvia-se os meninos tocar Legião Urbana no violão, numa época em que música não servia só pra dançar. Cantar Que país é esse? e Geração Coca-Cola era um grito de rebeldia, e ficava todo mundo se achando muito revolucionário. Fumar era arbitrário. Beijar, só se tivesse apaixonadinho.
A gente ficava tentando imaginar se aquela mensagem no papelzinho da bala era intencional ou não, e pra descobrir a gente brincava de jogo da verdade.
Era tempo de pedir pra namorar. Pedir pros pais. Um frisson! Hoje os pais tem que pedir para que se use camisinha, pelo menos.
A gente escrevia carta, e torcia pra ela chegar, e torcia pela resposta. O carteiro era o Deus da comunicação.
Lembro bem da primeira vez que me falaram: Menina, diz que vão inventar um telefone de andar na mão! Sem fio! Que toca em qualquer lugar!
E eu: Ahhhhhhh, conta outra!
As crianças brincavam na rua, e a rua era só a extensão do quintal de casa, não era a faixa de gaza.
Esses dias Fábio lembrou das mães dizendo: Cuidado na porta da escola! Tem gente dando bala com tóxico para "aviciar" as crianças. rs!
Aqui no Rio, na Baixada pelo menos, a lenda mais apavorante era a da Kombi que roubava crianças.
A gente via uma Kombi na rua e já se tremia toda!
O Lula não ganhava a eleição e continuava sendo esperança, o Senna ganhava as corridas e continuava sendo herói, a gente só ganhava presente no Natal, no aniversário e no dia das crianças e presente ainda deixava as crianças felizes, realizadas, extasiadas!!!
E não existia mulher fruta.
A gente era feliz. E sabia.
4 comentários:
Ai, que fiquei nostálgica também..
Nossa!Adorei o seu texto flôr,apesar de ter só 18 anos,eu peguei uma boa parte dessa época.
Beijos!
A kombi era branca, tiravam os órgãos das crianças pra vender e deixavam só o corpo na esquina da casa da família. Eu tinha PÂNICO.hehehe
Ótimo texto, Lu!
Escreve esse livro de crônicas logo, pô!
Ai Cintoca era um terror mesmo!
saudades de "tis" (tu e Dudu)!
Gabi adorei seus coments! Tento ver no seu perfil se vc tem algum blog pra eu visitar mas não consigo, se houver põe o end aqui!
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