segunda-feira, 31 de maio de 2010

"A alma encantadora das ruas"

Episódio de Hoje: Um dia comum

Imagem: As calçadas musicais de Vila Isabel

A gente sai de casa, e logo no portão recebe um: -Bom dia!
Da sacada do apartamento de cima um velhinho simpático já nos agracia com essa pérola do bom humor matinal, e o dia que começara mal, clímax de uma noite mal dormida, recomeça de uma forma mais amena, vislumbrando um decorrer mais alegre!
Meio atrapalhada com o carrinho de bebê eu enfrento o percalço do degrau do portão de entrada do prédio e quando começo a maldizer os engenheiros, mestres de obras e pedreiros que fizeram a obra, sou logo interrompida por um: -Quer uma ajuda?
É um homem comum, que no meio da correria do início da manhã rumo ao trabalho, tem tempo pra fazer uma gentileza pra uma dama em apuros. E assim, mais uma vez meu dia recomeça, sigo meu caminho, empurrando um bebê sorridente num carrinho cor de rosa!
E o bebê sorridente faz as pessoas na rua sorrirem também, esquecerem por um instante suas mazelas, suas dores de amor, suas dívidas.
A gente passa pelo restaurante da esquina, o qual a gente se acostumou a chamar de Bundas, porque a família que o comanda tem toda cara de bunda! rs! Seu verdadeiro nome vou confessar, nem me lembro mais, ou faço questão de esquecer, só não esqueço dos seus sabores, incríveis! E fica ali, pertinho de casa! A gente pede e chega tudo quentinho em 20 minutos!
Nossos Domingos terminam invarialvelmente com o seguintes diálogo:
Marido:-Mô, vamos pedir uma pizza no Bundas?
EU:- Siiiiim!
Um adendo: quem vê cara de bunda não vê coração! São todos muito atenciosos e gentis! rs!
Descemos rua abaixo, sendo paradas esquina a esquina pelas velhinhas simpáticas, sempre com um: -Deus abençoe! na ponta da língua. Diante de tanto carinho eu já nem me importo mais com as passadas de mão, os beijinhos e os afagos que me deixavam, mãe de primeira viagem que sou, apavorada com os germes e bactérias no meu bebê! Me dêem um refresco vai! Não me olhem torto que isso era em tempos de gripe suína! rs!
E chegamos à Boulevard, que carrega consigo ainda todos os traços que a imponência da nomenclatura lhe impõe. É avenida de tráfego intenso, constante, mas que, ao mesmo tempo, faz resistir toda uma aura de passeio, de calma, de olhar vitrines, papear com um conhecido na esquina, comprar uma pipoca, sentar num bar, olhar a vida passar!
E aí a gente chega na padaria dos Portugas, e eles estão sempre por lá, ora interagindo com os clientes, ora fiscalizando seu negócio, compenetrados. E não se fazem mais portugas como antigamente! Já os vi muitas vezes liberar uma compra com um trocado faltando, permitir que uns pães fossem doados a uma senhora pedinte, volta e meia os vejo oferecer docinhos pra crianças acompanhadas de seus pais, que vão comprar pão e conversa vai, conversa vem chegam em casa lá pelos idos do almoço!
Deixamos o burbubinho da Boulevard e voltamos pra casa com um pão na mão e um sorriso no rosto!
Vila Isabel é um encanto de bairro, não fosse pela violência, que volta e meia interrompe bruscamente o encantamento, moraria aqui pelo resto da vida!

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