segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

.:.:Um Natal Diferente:.:.


Me lembro bem dos meus Natais, todos eles, porque todos são extremamente parecidos. Correria, comidas e mais comidas, presentes comprados às pressas, amigos ocultos, muito vinho, algumas rusgas entre familiares ou amigos da família, calor, consumismo, decorações bizarras lembrando neve num país tropical.
Meus Natais eram uma sucessão de repetidas tradições furadas em que o único momento que lembrava de longe o que é que se está comemorando é o abraço, muitas vezes mecânico, à meia noite.
Nunca fui religiosa, ou quando o fui não sentia que a religião que havia escolhido era muito mais do que a burocracia dos ritos da igreja e isso sempre me incomodou profundamente.
Me batizei, fiz Catequese, Primeira Comunhão, Crisma, mas nunca, nem mesmo nesses momentos ditos "mais marcantes" do Catolicismo eu senti tanto a presença divina quanto na noite do dia 24 de dezembro de 2010.
Neste Natal, fiquei com a família da Cris, minha cunhada, a pessoa mais doce da face da terra. São católicos fervorosos, participam ativamente da vida da comunidade da qual fazem parte. (Muitas vezes já me peguei pensando sobre o exagero que eu pensava existir neste fervor)
Mas nesta mágica noite de Natal eu entendi o motivo.
Não havia derrame de bebida alcoolica, não havia comilança desenfreada (e não era por falta de comida, que era farta e deliciosa) nem a algazarra da música alta e inadequada.
Havia respeito, entendimento sobre a importância da data, havia uma aura mágica que parecia multiplicar o amor das pessoas que ali estavam uns pelos outros. Ao som de um cântico natalino agradecemos pela comida, pelo ano que tivemos, pedimos pelo próximo ano, cada um na sua vez, segurando uma pequena imagem do menino Jesus, em voz alta ou apenas fechando os olhos, silenciosamente.
Eu pedi pela saúde da minha filha e pela primeira vez eu confiei piamente no que estava fazendo, pela primeira vez eu tive uma certeza, saída do coração de que havia alguém me ouvindo, ainda que eu estivesse em silêncio. Pela primeira vez a minha fé me tocou, e eu não estava em uma igreja.
A fé habita as pessoas, não os templos
.

5 comentários:

Quareesma disse...

assim como a fé, Deus também habita dentro de cada um :)

beijas, mainha :*

Luciana disse...

Lu,concordo plenamente com o que disse.Estou toda arrepiada aqui.

Ruiva disse...

"A fé habita nas pessoas, não nos templos."
Isso é porque o Espírito Santo habita nas pessoas, não nos templos.
=)

Feliz Natal atrasado, meu amor. Que essa "mágica" (que eu chamo de presença de Deus) se faça presente na sua vida mais vezes.

Beijas

Doté Jorge - Rio de Janeiro - RJ - Brasil disse...

Oi lindaça, tudo bem?!
Ah! Antes de tudo, um feliz Natal! Sim, claro! Porque Natal é como aniversário, se quisermos podemos comemorar todos os dias, pois cada dia é uma nova vitória, um acontecimento.
Seu Natal de 2010 foi especial, porque você descobriu o verdadeiro sentido da fé. Ter fé é entender o Sagrado, e, naquele momento você entendeu. Descobriu o sentido da célebre frase de Saint-Exupry em O Pequeno Príncipe que diz: "O Essencial é invisível aos olhos!".
Por isso, aproveito para reafirmar meu carinho, respeito e admiração por você e desejar que a Iluminação do Sagrado, do Invisível, do Essencial, em fim, que Deus abençôe a você, à Ciça e ao Fábio, trazendo o entendimento, que é a verdadeira fé. Só com o entendeimento conseguimos crer no Invisível, sem nos tornarmos burros e fanático, e entendendo o Sagrado, temos a certeza que nossas orações serão atendidas, sempre!
Um monte de beijos com desejos de sorte, saúde e alegria. Todo dia, o dia todo! Feliz Ano Novo!
Jorge de Freitas.

Raquel Machado disse...

Lu, to aqui "atualizando" minha leitura do seu blog.... to adorando!

Acredito que vc tenha ganhado o maior presente nesse natal: vc entendeu e experimentou a simplicidade do que é Deus! Crescemos num mundo que ensina tudo ao contrário, mas a fé é isso! Não há intermediações, onde vc estiver e falar com a fé que vc falou nesse natal Ele vai te ouvir!

Bjks e saudades!!!!

Raquel Machado.

 
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