quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Era uma vez...

Uma amiga.

O ano era 2004, primeiros dias na faculdade, tudo ainda muito novo, muito tímido, era um mundo novo!
Eu, que vinha de um colégio em Nova Iguaçu (O João Luiz um dos menorzinhos e mais "familiares" da FAETEC), me deparava com aquela monumentalidade gigantesca que é a Uerj.
Tudo era maior, mais impessoal, as pessoas da minha classe que logo se enturmaram eram aqueles mais dados à noitadas, cervejas e festas, o que definitivamente não era o meu caso. Os primeiros dias não foram fáceis. Ao mesmo tempo em que eu estava feliz e deslumbrada, estava me sentindo solitária naquela multidão toda que passava pelos corredores.
Tudo o que eu queria era as minhas amigas do segundo grau ali (e que permanecem amigas até hoje, muito!) pra compartilhar daquilo tudo, dar risadas dos tipos estranhos (o tipo de atitude anti-ética que a gente só faz em bando hehehe), desbravar aquela selva de concreto. Mas eu tinha que me conformar, cada uma tinha passado pra uma Universidade diferente e os caminhos agora eram inevitavelmente diferentes.
Mas a minha era de solidão estava com os dias contados! Logo, logo eu viria a conhecer a Érika, super contida, mas sorridente, super elegante, super inteligente sem parecer esnobe, super um montão de coisas que me fizeram sentir uma empatia quase que imediata!
Não éramos extremamente parecidas, nossas personalidades eram até bem diferentes. Eu, um tantinho menos elegante, um tantinho menos contida, um tantinho mais tagarela, um tantinho mais dada ao riso frouxo, e esses tantinhos viram um tantão quando a convivência é diária!
Mas foi um tantão que não fez a menor diferença, porque como eu já disse, a empatia foi tão grande que suplantou qualquer atrito.
E nos tornamos amigas (eu pelo menos, pensava assim). Dividíamos os dilemas da escolha da profissão, eu cansava de alugá-la com meus problemas familiares, nos estressávamos com os professores, com os trabalhos, com a burocracia da Uerj, mas no final sempre ríamos de tudo.
Em pouco tempo eu já a considerava amiga de verdade, do peito, de fé irmã camarada, e pra esses amigos eu me dou inteira, sem disfarces, sem meias palavras. Por esses amigos eu faço tudo o que estiver ao meu alcançe, eu subo no palanque, testemunho, grito se tiver que gritar, choro se tiver que chorar, peço muito mais conselhos que dou, confio e admiro.
Pra mim, a Érika seria uma daquelas pessoas que me acompanhariam pra vida inteira, por quem meus filhos teriam um respeito maior, porque afinal são quase tios, alguém de quem eu saberia sempre, saberia se está triste pra acalentar, e se está feliz pra vibrar junto.
Mas em algum momento, que eu já tentei descobrir qual foi e não consegui, eu me enganei. O que eu achei que era recíproco não era, ou vai ver era e deixou de ser... vá saber...
Já tentei me reaproximar de algumas maneiras mas não consegui e o receio de parecer chata e invasiva me fez limitar estas tentativas.
A verdade é que eu já inventei milhões de teorias pra explicar o sumiço da Érika e chego sempre a mesma conclusão:
Acho que pra ela eu não era essa Coca Cola toda, eu não era assim... Uma Brastemp!
Eu fico triste, sabe?! Mas aqui dentro do meu coração eu fico torcendo pra que ela esteja bem, feliz, realizada. Pra que todos os planos que ela fazia estejam dando certo, enfim, eu torço horrores pela Érika porque ela merece, muito!

9 comentários:

Juliana disse...

Ah, João Luiz era nossa segunda casa,né? não estranhei tanto quando fui pra faculdade porque caí numa turma cheia de gente " estranha" feito eu, mas a universidade parece um outro planeta mesmo,né?

Lu, eu tenho uma história parecida com essa sua e da sua amiga e durante muito tempo tentei entender o que eu poderia ter feito pra que a menina sumisse. Também achava que eu não era essa coca-cola toda! com o tempo, fui me dando conta, de que no meu caso, o afastamento aconteceu por causa do tempo, dos interesses diferentes. Não havia nada que eu pudesse fazer.

Não há nada que a gente possa fazer mesmo, acho.

Beijo

P.S: O que tem no João Luiz que faz com que todo mundo saia de lá com grandes amigos? hehehehehehe

Quareesma disse...

é tão horrível quando isso acontece, né?! ;/
aconteceu comigo há pouco tempo e eu tô rezando pra não acontecer de novo. (yn)'

beijas, mainha :*

Ruiva disse...

=(
Aquela Erika do casamento em que conheci a Ciça?
=(
=(

Ruiva disse...

E, Lu, não tô defendendo ela não, mas às vezes a vida é tão complicada pra gente....
Tô escrevendo um texto lá pro blog que fala sobre amizades. Acho que vc vai entender o meu ponto de vista e, de repente, é o que acontece com a Erika tb.

Beijas

Luciana Matos disse...

Pois é meninas, eu sei que a vida às vezes afasta as pessoas a contragosto delas... Mas quando a gente gosta muito de alguém fica meio difícil entender porque a pessoa ficou tão longe... Algumas pessoas são tão especiais que ficam guardadinhas no coração da gente não importa o que aconteça, é o caso da Érika(sim ruiva, a do casamento)!
Beijões!

Páginas Da Minha Vida disse...

Luuuuuu,saudades suas tb! Como vc está?

sobre o seu post, tb já tive amizades assim.De tipo, imaginar dar meus futuros filhos para eles apadrinharem, de envelhecer e lembrar da nossa juventude... infelizmente muitos saíram da minha vida de uma maneira que nossa, fico até me perguntando se eu é que sou chata ou eles que arrumaram alguém mais interessante para ser amiga deles.

Tenho alguns amigos, mas olha, fico às vezes me pego pensando até quando essa amizade vai durar.Porque é muito chato o tempo separar as pessoas desse jeito.

bom Natal ^^

bjs

Ruiva disse...

Meu "parecer" sobre o assunto era mto grande pra escrever num coment.
Cara, sei lá... Eu sinto MUITA falta de alguns amigos que se perderam pelo caminho. Mas como tenho esse probleminha de autismo, penso que eles também tenham. E o que é um pouco pior, tendo a me isolar de todos quando estou com algum problema mais sério, que me inquieta. Apesar de ser nessas horas que os amigos mais se fazem necessários, tendo a achar que ninguém tem nada com isso, que vou incomodar as pessoas e ae me fecho no meu mundinho. Dae o tempo passa, geral segue sua nau e a amizade meio que acaba datando. Pode ser que tenha sido assim com ela tb..
E já reparou que Deilza, nesse ponto, parece comigo? Que ela dificilmente procura alguém? Tadinhas de nós.. somos todas pessoas surtadas.. rsrs

Ághata disse...

Comecei a ler por esse post e de trás pra frente, li o blog todo!
Você tem um jeito delicioso de escrever, parabéns!Ah!è claro, a Cecília é muiiito linda *-*

Eurico Rocco disse...

Adorei o blog

http://www.delitosperdidos.blogspot.com/

 
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