quinta-feira, 24 de junho de 2010

Só Padre Cícero mesmo.


42 mortos e 116.189 pessoas desabrigadas ou desalojadas em Alagoas e Pernambuco.
607 moradores continuam desaparecidos em Alagoas.


"Os cenários são de destruição completa de cidades, como se um gigantesco Tsunami tivesse passado por ali"

Houveram tragédias deste tipo em Santa Catarina e no Rio de Janeiro, em ambos os casos a comoção pública não apenas nos Estados que sofriam os efeitos das chuvas, mas em todo o Brasil foi estrondosa. Familiares de Minas e da Bahia me ligavam querendo saber se eu ainda estava viva, amigas com familiares pelos quatro cantos do Brasil se viram numa enxurrada de telefonemas que aguardavam por boas notícias. Isso tudo favorecido pela grandiosa cobertura das grandes mídias, que tratava o caso com a importância que lhe era devida e em alguns casos até com certa propensão ao exagero.
Mas e o Nordeste? O Nordeste sofre, não apenas com a enchente, sofre com a seca, com a fome, com a miséria, mas o sofrimento do povo nordestino não suscita no Brasil o mesmo tipo de comoção pública.
Os números trágicos do início deste texto parecem não exercer os mesmos sentimentos pesarosos nas pessoas. Vou dar um exemplo: Nas páginas iniciais dos grandes sites só entra aquilo que gera interesse, hoje eu me deparei com a Globo.com sem nenhuma, eu disse NENHUMA menção ao desastre que se abate sobre o povo nordestino. Aconteceu a mesma coisa com o site do Jornal O Dia, e com o do Jornal o Globo, que dedicava um ínfimo quadradinho quase no rodapé da página para tratar do assunto. Esse interesse gerado pelas notícias das primeiras páginas dos sites é medido pela quantidade de cliques que os links dessas notícias atraem. Parece que o Brasil não se interessou muito pelo drama dos Alagoanos ou dos Pernambucanos...
O Nordeste está lá, sofrendo desde sempre e nem quando uma grande trágédia se abate sobre sua terra ele consegue dos brasileiros a empatia que lhe permita receber a atenção que lhe é negada também desde sempre.
Pra piorar este quadro as enchentes vieram em tempos de Copa do Mundo, um tempo em que as pessoas ficam anestesiadas, abestalhadas e pintadas de verde e amarelo.
O que são crianças andando na lama sobre os escombros de suas casas quando se tem um jogo do Brasil amanhã? Nada.
Às vezes me parece que as distâncias geográficas do Brasil parecem infinitamente maiores no imaginário dos brasileiros, que veem o Nordeste como uma África, que sofre sim, mais é tão impossível chegar lá pra ajudar, não é mesmo?
Precisamos contar aos Brasileiros que o Nordeste não está do lado de lá do Atlântico.

Update: Acabo de saber que o número de desaparecidos foi drasticamente aumentado no início da semana devido ao desespero das famílias, são agora cerca de 60. Mas isso é só um número, pra quem perde um ente querido, um quer dizer um milhão.

Um comentário:

Ruiva disse...

Lu, eu pensava sobre isso ontem, quando lia no R7 sobre a chuva no nordeste... Quando foi aqui no Rio eles falaram até a exaustão e logo no dia seguinte o nordeste sofreu catástrofe semelhante. E agora outra, menos de 3 meses depois, e nada é dito, de novo..
=/
Um país sem memória e sem dar importância para os que fazem a coisa acontecer para o sul e o sudeste..

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