
A minha bichinha fica a maior parte do tempo trancada no apartamento só em minha companhia e apesar de tentar fazer com que o seu mundinho seja o mais agradável possível, com brincadeirinhas e coisa e tal, eu sei que não supro a companhia de crianças da idade dela. Isso é um problema.
Moramos longe de nossos lugares de origem, logo longe de irmãos, sobrinhos, quintais pra correr e tudo o mais. Quando ela chega nas casas das avós é uma festa só, parece a Disney! Quando ela vê uma criança seu rostinho se ilumina, fica toda dada, toda se querendo! rs!
Ontem, enquanto passeávamos aqui pelo bairro, Cecília se depara com a seguinte cena:
Um garotinho de rua brincando alegremente com sua bolinha, a mãe estava sentada na calçada com um bebezinho no colo.
Cecília mais que rapidamente correu em direção ao garoto, rindo e já participando da brincadeira. Ele jogava a bolinha pra ela, ela pegava e jogava de volta pra ele toda sorridente! Nossa primeira reação foi nos olharmos sem saber o que fazer. A nossa mente estava agora na linha tênue que separa cuidado de pré-conceito. Sorrimos um pro outro como quem tenta dizer em pensamento: -Ora essa, deixe de bobagem! E deixamos!
A brincadeira durou uns dez minutos. E nós ficamos lá, morrendo de inveja desse serzinho tão despido de valores equivocados, tão livre das coerções sociais, tão inocentemente lindo!
Na volta, as fraldas e os biscoitos não foram doados a um garotinho de rua, foram presentes pro amiguinho da Cecília!
E o meu coração segue apertado, querendo alucinadamente livrar aquela família daquela situação degradante, mas sabendo que o que está degradado não é aquela mãe, ou seus filhos, o que está degradado, infelizmente, é aquilo que a gente costuma chamar de pátria.