segunda-feira, 11 de outubro de 2010

"Lá o mundo tem razão"


A gente vai chegando e mal sai do carro já tem gente indo ao nosso encontro, de sorrisão no rosto, acenando, parece saudade de um mês mas só faz uma semana. Eu pisco e Cecília já não está mais no meu colo, já passou pro colo da vó, que passa pro colo da tia, que vai pro chão, que dá a mão pras meninas e some quintal adentro.
Descarregamos do carro aquela infinidade de mochilas e bolsas dos quais eu não consigo me livrar, parece que estamos indo pro Sertão passar um ano, mas é só um fim de semana na minha mãe.
Entramos encostando as bolsas num canto qualquer e quando eu penso que não, sou arrebatada por um beijo gostoso de cada lado da buchecha, e abraços e apertões que são sempre gostosos, mas quando elas veem que há presentinhos de Dia das crianças nas bolsas ficam ainda mais! Crianças são um tantinho interesseiras em se tratando de brinquedos, e quem não era?
Raissa e Ingrid, duas pretinhas lindas de viver, meus bombozinhos, minhas sobrinhas, um dos tesouros da minha vida. Quando eu fui morar longe meu coração quase parou, e às vezes quase para de saudade, mas volta a bater desenfreadamente quando eu vejo aqueles sorrisos correndo em minha direção quase me desequilibrando as pernas com um abraço gostoso!
Eu chego naquela casa e parece que eu entrei em um túneo do tempo, o cheiro da comida, as risadas, os vizinhos passando, o cachorro no quintal de terra batida, as roupas balançando no varal, toda uma aura de infância que me faz remoçar, eu sempre saio desses fins de semana com um misto de cansaço e alegria rejuvenescedora!
E a gente conta as novidades, todas de uma vez! Todas nós falando ao mesmo tempo, como se o mundo fosse acabar e não fosse dar tempo de contar! Uma confusão de vozes e gargalhadas que meu marido custa a acreditar alguma de nós esteja realmente entendendo alguma coisa.
Cecília já nem vejo mais, se mistura com a bagunça de crianças na terra sem lei da casa da vóvó. Voam travesseiros, o colchão agora é pula pula, e elas brincam, cantam, correm desenham, pintam e bordam! E eu vejo a minha filha tão feliz que que me dá até uma paz no coração!
A comida está cada vez mais cheirosa! A conversa desorganizada passa pra cozinha, marido finalmente consegue ouvir o futebol.
E tem feijão borbulhando no fogão, fumacinha saindo da panela do arroz, eu sinto um quentinho na perna e quando olho pro forno a minha boca inunda! rs!
E é um tal de esperimenta daqui, esperimenta de lá, que quase me faz perder a fome, quase. rs! E as risadas continuam, a tagarelice também, a comida tá pronta! Chama as crianças!
E a gente come, come não, se deleita!
Dona Ines, se existisse um Nobel de culinária certamente seria dela!
E chegam os vizinhos, que comem também, um exagero de comida que se justifica pela quantidade de pessoas que vão passando e comendo um pouquinho. Visitinha de nada, só pra ver como a minha filha tá grande, mas a minha mãe jamais deixa alguém sair da casa dela sem comer alguma coisa! Lembram desse post?
Depois do almoço vai dando um soninho, e tem sempre um ventinho entrando pela janela, aplacando o calor e convidando pra uma sonequinha na varanda!
Cecília tá que só pára pra comer, e olhe lá! Tá lá, se embrenhando no meio das bonecas, tentando imitar os trejeitos da primas, falando coisa nova que nem eu tinha ouvido ainda, sentada no chão, de pés descalços, me fazendo ter cada vez mais certeza de que felicidade é a coisa mais simples do mundo!
E o tempo passa, a tarde cai e já tem cheirinho de café, de pão de queijo e bolo!
Chama as crianças!

2 comentários:

quareesma disse...

nossa, com tantos detalhes assim, eu quase senti o cheiro da comida de sua mãe (hi hi).

eu passo por isso quando vou pra casa da minha avó, todos os domingos e feriados *-*

beijas, Lu :*

Glória P. disse...

Que bonito seu dia da crianças, Lu! :)
Fiquei vendo seriado e nem lembrei que podia ser assim.
Beijos!

 
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