domingo, 24 de maio de 2020
Sobre verões e máscaras
Voltar à tona de pois de 71 dias mergulhada no isolamento social é impactante.
Para mim pelo menos, que pertenço ao grupo de risco e não coloquei o nariz do lado de fora pois não sou boba nem nada.
Mais de dois meses confinada em casa transformou o meu universo em uma coisinha pequenininha e protetora e ter que me aventurar no mundo lá fora foi uma experiência no mínimo assustadora.
Sair e ver que a vida continua, apesar de tudo, me trouxe uma sensação indescritível pois até alguns dias antes de serem informadas as medidas de desconfinamento gradual pelo governo, eu ainda me perguntava se passaria o resto dos meus dias atrás das grades (sempre quis dizer isso hahaha).
Temos saído para passear aos finais de semana, mas apenas para lugares a céu aberto onde se pode cumprir o distanciamento social mais efetivamente.
Ontem fomos a um lugar incrível, a Costa da Caparica, uma praia linda, com pôr do Sol mais lindo que eu já vi.
A normalidade seria sentarmos em um bar ou restaurante, comer uma coisinha, beber uma cerveja... Mas para nós a normalidade vai demorar muito pra ser restabelecida.
Nós somos uma família muito corajosa para um montão e coisa: A gente troca de bairro, de cidade, de estado, de país, faz mala, desfaz mala, começa projetos, desiste de projetos, mete as caras, quebra a cara. Recomeça.
Mas quando se fala em doença o buraco é mais embaixo, a gente treme igual vara verde - sim eu uso gíria do século retrasado.
Ontem estávamos na praia de máscara. Acho que nós éramos as únicas pessoas de máscara na praia, sinto que fomos atração e as pessoas devem ter apostado entre si que quando a gente chegasse em casa estaríamos igual ao Kiko do Chaves em Acapulco com a marca da máscara de mergulho na cara.
Mas já tivemos um avanço em relação ao passeio anterior:
Tiramos a máscara para tirar foto e minha postagem no Instragram não ficou parecendo o Carnaval fora e época do bloco dos mascarados.
Precisamos saber como vai se dar essa volta. O vírus não desapareceu e a vacina ainda não chegou.
Portugal controlou a curva de infecções durante o período do estado de emergência, com medidas de restrição e com as pessoas dentro de casa. O Sistema de Saúde atendeu à demanda que lhe foi imposta. Mas será que com as pessoas nas ruas novamente haverá uma explosão de novos casos?
Se sim, o sistema de saúde vai aguentar? São muitas perguntas que só o tempo poderá responder.
As autoridades estão preocupadas em abrir a economia, que já sofreu muito enquanto tudo estava parado, mas também estão preocupadas com as pessoas, estão atentas e acho que não exitarão em fechar tudo novamente se a escolha for salvar vidas ou a economia. Isso é reconfortante..
Acompanhar a situação do Brasil também nos deixa apreensivos demais para chegar a um nível de tranquilidade que nos permita ir à rua sem medo.
Enfim, são muitas emoções.
Ainda temos medo, mas aos poucos também temos coragem e há dias ensolarados lá fora.
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