Oi blog, quanto tempo!
Fiquei sumida 3 anos, não foi por mal, é que eu estava presa.
Sabe quando a gente vai pro mar animadão, uma onda nos derruba e ficamos lá tentando levantar e não conseguimos? Eu estive assim nos últimos 3 anos.
A vida tem estado um tanto confusa: Louca e parada ao mesmo tempo.
A vida de uma família imigrante sem rede de apoio é uma loucura repetitiva e cansativa, estamos sempre correndo de um lado para o outro para dar conta de tudo, mas ao mesmo tempo a própria rotina nos engole em marasmo. Um marasmo louco e cansativo. Olha que estranho, bem vindo ao maravilhoso mundo das famílias que mudam de país!
Os dois primeiros anos em Portugal foram consumidos pela Pandemia, sobreviver era a única meta.
Passado esse pesadelo, começamos a nos dar ao luxo de sonhar. A primeira coisa que eu quis fazer foi... Voltar a trabalhar! Não que não houvesse trabalho de sobra em casa, mas eu queria salário em euro caindo na minha conta bancária. (automaticamente entra em cena o meme EU SOU RICAH)
Eu amo e odeio trabalhar ou seja, a minha relação com o trabalho é tóxica, sofro se não me ocupo, sofro quando já não tenho tempo pra mais nada. É triste.
Conseguir um emprego na minha área de atuação, em uma das maiores empresas de Portugal, depois de mais de 2 anos fora do mercado me revigorou! Eu fiquei muito feliz! Uma proletária felizona no trabalho, desculpaê Marx!
Tudo muito bom tudo muito bem até que entrou o narrador:
- Ela não sabe o que a espera...
E as cenas do próximos capítulos eram choro, choro e mais choro trazidos pela adolescência problemática da Cecília.
Pensem em todos os tipos de problema que podem haver com uma adolescente nessa fase crítica da vida.
Faça um combo.
Foi assim. Uma avalanche, uma guerra civil, um terremoto, tempestades raios e trovões.
Acho que eu sofri nesses últimos 3 anos tudo o que eu não sofri a minha vida inteira.
Teria sido um alivio se apenas eu tivesse sofrido, mas não.
Ver um filho com doença na alma é a pior tortura que os pais podem passar. Não ter um paracetamol ou um antibiótico que resolva é sufocante.
Aos poucos fomos nos refazendo, juntando os cacos. A maturidade dela foi chegando, os tratamentos dando resultados e a luz da minha filha voltou a brilhar.
Aquela luz de que tanto já falei aqui nesse blog nas famosas "Cartas para Cecília" havia desaparecido e só restou caos e sofrimento. Digo sem sombra de dúvidas que este foi o período mais difícil da minha vida. Da nossa vida.
Aos poucos a escuridão foi perdendo espaço, mas sabemos que não podemos baixar a guarda.
Ver a luz do dia todas as manhãs requer vigiar a noite.
Vigiem a noite dos seus adolescentes, todos passamos por ela nessa fase da vida, mas os monstros que há hoje em dia não existiam na nossa época.
É assustador o que a internet, o vício em redes sociais, câmeras, microfones, conteúdos de todos os tipos a um clique, algoritmo, inteligência artificial podem fazer na mente de um adolescente.
Aqui houve o plus de passar por grande parte de tudo isso recém saído do seu país, ainda sem amigos, com as escolas fechadas, no meio de uma pandemia.
Meus amigos, foi punk.
Mas a Fénix aqui sempre renasce, as vezes renasce xôxa, manca e capenga, mas renasce.
Até a próxima.
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