domingo, 29 de agosto de 2010

"Purgatório da beleza e do caos"


Que bom seria se o meu Rio de Janeiro fosse apenas a beleza que se vê do alto, nos sobrevoos de helicópteros, nas chegadas e partidas dos aviões.
O Rio visto do alto não mostra suas sórdidas reentrâncias, suas vielas violentas, seus detalhes permanecem escondidos sob a beleza do cartão postal.
Em visão panorâmica o Rio faz jus às letras das bossas de Vinicius e Tom, faz jus ao propagado título de Cidade Maravilhosa, coleciona elogios e tenta envergonhado desviar os olhares mais atentos, para que estes não reparem a sua bagunça.
Que bom seria se aquela mulata magestosa, linda, cintilante, não retornasse ao seu insalubre lar depois do show que deixou extasiados os gringos alienados.
Que bom seria se a orla quente, que de dia abriga crianças, avós, sorrisos, a alegria franca e verdadeira dos farofeiros, o ar blasé das garotas zona-sul, a simpatia famosa mundo afora, não abrigasse à noite a degradação dos corpos, expostos como carne crua, barata, em bancas fétidas de uma feira noturna.
Se víssemos o Rio somente do alto, a Lapa seria só os arcos iluminados, sem o mal cheiro, os prostíbulos, a miséria. A favela seria apenas sua faceta de "orgulho da comunidade" que tentam incutir na mente dos pobres moradores para que estes deixem de implorar por mudanças. O Centro seria apenas seu imperial Teatro Municipal reformado, sem o trânsito caótico, os mendigos, os pivetes, os desempregados de currículo em punho.
Veríamos apenas o sorriso plastificado do sambista, as cores e brilhos da escola de samba, a felicidade construída.
Ver a minha cidade do alto é certeza de espetáculo. Vê-la do chão, conhecê-la, é sentir ânsia por transformá-la, curar suas feridas, é querer dar o ombro pra ajudar a reerguê-la.
Aos que se perguntam porque os céus não apazigam tanto sofrimento, eu tenho uma tese:
O Cristo vê a cidade do alto.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A gaveta.


Aqui na minha casa tem uma estante. Nesta estante tem uma gaveta. Esta gaveta só é aberta para que se jogue coisas dentro dela, raramente é pra pegar alguma coisa, e quando isso tem que ser feito, geralmente é num momento de desespero em que se precisa encontrar alguma coisa urgentemente e já se procurou em todos os cantos da casa sem sucesso.
Lá,(na gaveta) tem de tudo. Documentos importantes, como certidões de casamento, de nascimento, de nada consta, bilhetinhos de amor, certificados de garantia de tudo o que se possa imaginar, desde o nebulizador, até sei lá, a geladeira. Tem 1.478542365144525455 boletos de contas pagas e ainda bem, nehuma sem pagar. Mas tá tudo lá, desorganizado, embolado, sem critérios, sem moral nem compostura.
De quando em vez eu decido: -Vou arrumar esta gaveta! Mas tem sempre algo mais (ou menos) importante pra fazer, e a gaveta vai ficando lá, caótica. Quando eu a abro pra jogar alguma coisa lá dentro, eu faço isso bem rápido, pra que eu não fique muito tempo face to face com a bagunça, e por consequencia não me sinta tão culpada.

Mas o que me deixa mal, nem é a gaveta, nem a sua bagunça, o que me deixa mal é que a gaveta é a parábola da minha vida.
A minha vida ultimamente é o retrato desta bendita gaveta, uma inundação de coisas importantes, de amor, de pendências, de coisas pra organizar, de supérfulos a descartar, de decisões a tomar, de planos a concluir, enfim, eu preciso arrumar a minha gaveta, eu preciso organizar a minha vida.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

No pára-choque do meu caminhão.


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Parabéns para mim, nesta data querida.


Gente, fazer vinte e oito anos não é bom, não. Acho que é porque 28 é um número feio, pesado, o som não é bom, a gente fala com voz grave, entonada. Acabou-se a suavidade dos vinte e poucos, o negócio agora é o quase trinta.
Mas o drama é bem menor do que aparenta, Maria do Bairro às vezes baixa aqui e digita no meu lugar.
Ontem à noite, eu estava pensando no dia em que eu fiz quinze anos, no dia não, no ano! Porque eu torci horrores pra que o ano corresse rápido, pra que chegasse logo agosto, pra que eu fizesse logo quinze anos!
Na minha época, quando se tinha catorze anos a gente era mais criança que adolescente, não é como hoje em dia que aos doze já tá todo mundo aí, na vida. A passagem para os quinze era um marco, e nem era por causa da festa, que eu nem tive e que, pelo menos no meu círculo, não era todo mundo que tinha. Era pela intensidade de sentimentos e mudanças internas que esta nova idade nos trazia.
E aí ontem, afundada nos meus pensamentos eu me vi lá, na noite anterior ao dia 19 de agosto de 1997, deitada na cama, pensando na vida, exatamente como eu estava ontem. E por um momento, foi como se estívessemos lado a lado, a Lu de 15 com os questionamentos e planos dela e a Lu de 28 ainda fazendo planos, mas com muito mais certezas que dúvidas.

Aos 15 anos, eu queria conquistar o mundo (na maior vibe Pink e Cérebro).
Aos 28 eu quero um emprego que me permita viajar e conhecer um milésimo desse mundão todo aí.
Aos 15 anos eu dizia que só teria filho depois dos trinta!
Aos 28 eu estou felicíssima porque aos trinta minha filha já vai ter quatro e aí quem sabe, eu vou poder dar um irmãozinho pra ela.
Aos 15 anos eu dizia que neeeeem morta que eu iria casar! Como é que eu ia conquistar o mundo??? (O filho seria produção independente, há)
Aos 28 eu estou casada, feliz e não trocaria isso por nada.
Aos 15 anos eu não sabia ainda que profissão escolher, mas uma coisa era certa, tinha que ser o emprego dos sonhos, pra me deixar rica, bem sucedida e poderosa. E ele estava lá me esperando, bastava que a vida me levasse até ele.
Aos 28, tenho plena consciência de que não vou ficar rica com a profissão que eu escolhi, a menos que eu jogue na mega sena (e ganhe) não vou nadar nas moedinhas igual ao Tio Patinhas. E isso, vejam só, não é nada decepcionante!
Aos 15 anos, no alto da minha embriaguez juvenil, achando que tudo girava ao meu redor, num egocentrismo perfeitamente normal e perdoável para a idade, eu me sentia enorme, eu podia alcançar tudo, eu podia fazer tudo, o mundo era parte de mim.
Aos 28, eu quero fazer tudo o que for possível, eu quero pegar tudo o que meus braços alcançarem e se eu não alcançar, eu peço ajuda. Hoje, minha felicidade depende diretamente da felicidade de outras pessoas, a minha satisfação pessoal depende do bem estar da minha família. Os meus planos ainda são por vezes mirabolantes, quase juvenis, mas hoje eu sei que sou apenas parte do mundo, e que o MEU mundo é do tamanho que ele deve ser.

A propósito, a garotinha gorduxa da foto lá em cima sou eu, e eu não estava com catapora, é que a foto esta envelhecida.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Agora vejam vocês,


Sexta feira foi a comemoração do Dia dos Pais na escolinha da Cecília! Super legal, né? Ótimo, né? Bacana, né?
É. Mas veja bem, eu passei DUAS semanas de adaptação, sofrendo que nem uma condenada, chorando, gritando, esperneando, rolando no chão pra lá e pra cá (menos, Luciana, menos), aguentando o chororô de Cecília. O papai não podia revezar, porque o trabalho é mais hard, não pode faltar e tals, beleza, compreendo.
Mas aí, a primeira vez em que ele vai à escolinha é para participar de uma festinha em sua homenagem! Ganhar presentinho, gravatinha de papel com colagenzinhas "feitas por ela", ouvi-la fazendo gestos e tentando cantar a musiquinha do Papai-Super-Herói! É justo?
Num rompante de invejinha eu até poderia dizer que não, mas é.
Porque gente, essa criatura, não se contentando em ser o melhor marido do mundo, se tornou o melhor pai do mundo!
Eu falo com orgulho que o pai que eu não tive, o pai que eu sempre quis ter, é o pai que eu dei pra minha filha.
Sorte, a gente vê por aqui.

P.s: Não postei no Dia dos Pais porque como vocês puderam perceber, tenho dramas e questões com relação a isso que só serão resolvidas quando eu for rica e puder pagar 20 anos de terapia, então compreendam.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

TPA-Tensão Pré Aniversário


A pessoa fica tristonha, fazendo mil planos pro futuro, achando que não vai dar tempo de fazer nem a metade, fica procurando (e arrancando)cabelos brancos, começa a usar um creme antiidade, corta o cabelo pra ficar mais "muderna", relembra gostos e cheiros da infância, faz planos de plantar uma árvore (o pézinho de feijão da escola não vale, né?!), escrever um livro e fica aliviada porque pelo menos o filho já tem.
É assim que eu estou esta semana. Na TPA.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A quinta vez,

da Cecília na escolinha!

Chegamos ao fim da primeira semana da adaptação, e entre choronas e choroninhas estamos todas salvas!
Na sexta já não havia mais drama, mas eu estava sempre por perto pra deixa-la mais segura, o que parece estar dando certo!
Hoje foi o "dia da frutinha" e eu morri de orgulho, porque enquanto as outras crianças faziam cara de eca, Cecília traçava todas as frutas que passavam na frente dela! rs!
Ah, e a Educação Física????? Fez toda a "série de exercícios", tudo direitinho! E safadinha que é nem estranhou o professor, como fez com a Tia e a auxiliar! Posso-com-isso? Convento das Carmelitas Descalças djá!
Mais a grande lição que eu tiro disso tudo é: Quem trabalha com crianças dessa idade merece o Oscar, O Nobel, O prêmio Jabuti da Literatura, O Emmy, O Gramy, e de quebra uma canonizaçãozinha!
Gente, me coloca numa salinha com quinze criançinhas entre 2 e 3 anos que eu incorporo o 01 e peço pra sair!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A terceira vez,

da Cecília na escolinha.

Pois é, pra Cecília a novidade acabou. A primeira vez foi ótima, a segunda também, mas ontem ela chorou inconsolavelmente. Ela chorou, eu chorei(só um pouquinho) e enfim, submergimos Vila Isabel com o mar de lágrimas que derramamos ontem.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A primeira vez,

da Cecília na escolinha.
(Pois é queridos, vou falar de Cecília de novo. E tem como não falar sempre do maior, mais lindo, eterno, intenso e colorido amor da minha vida?)

Cena 1
Eu entrego Cecília nas mãos da tia (minha mais nova irmã?), falo pra ela: -A mamãe já vooooooltaaaaa. E me debulho em lágrimas.
Cena 2
Já refeita eu sento na cadeirinha reservada para as mães da adptação-(período de uma semana em que a gente fica lá na escola pro caso de a criança espernear clamando por nós)- dou uma olhadela pra dentro da sala e Cecília está lá muito bem e alegre (até demais pro meu gosto) Nessa hora eu penso: Ela nem sentiu a minha faaaaaaltaaaa. E me debulho em lágrimas.
Cena 3
A Coordenadora da escola me oferece um copo de água com açúcar. E digo que não preciiiiiisaaaaa. E me debulho em lágrimas novamente.
Cena 4
Eu dou uns tapas na minha própria cara(quase) pra me lembrar da mulher forte que eu sou, e que devido a isso não posso ficar ali, em pleno pátio de escolinha pagando de desequilibrada. Vou ao banheiro lavo o rosto, sacudo a poeira e dou a volta por cima.
cena 5
Eu volto pra cadeirinha da adaptação, sento lá como se nada tivesse acontecido, tentando me conter, não olhar pra dentro da salinha e transformar o primeiro dia de aula da minha filha num Big Brother do Maternal 1.
Eu não me contenho, e olho no exato momento em que um dos meninos derruba o potinho de giz de cera dela no chão. Propositadamente. Fria e calculadamente. E ainda sai rindo e saltitando (imagina os pais dessa figurinha cruel). Cecília fica lá, olhando pro giz de cera no chão, desolada.
Eu fico lá, do lado de fora, sem poder intervir, dar um peteleco no garoto (quase), devolver o giz pra ela, dizer que está tudo bem e cantar a música do Cocoricó, que faz ela esquecer de qualquer tristeza. E me debulho em lágrimas.

O que me mata com requintes de crueldade é saber que a vida é assim. Sempre haverá alguém que vai derrubar o giz de cera dela, ou mentir pra ela, ou partir seu coração e eu nem sempre vou poder fazer alguma coisa pra que isso não aconteça.
Dios, cómo sufro.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O Que Você Quer Ser Quando Crescer?


Quando eu era criança o meu maior sonho era ser motorista de ambulância, de carro dos bombeiros ou da polícia. Essa coisa de todo mundo abrir caminho pra eles passarem, o respeito, a sirene ligada, era uma aura de heroísmo que me encantava! Tava decidido. Era isso que eu queria ser.
Na pré adolescência eu queria ser médica. Me lembro do respeito que a minha mãe tinha pelos médicos, eu entrava nos consultórios e parecia que estava entrando num templo sagrado pra falar com um sábio. Antes de entrar tinha uma série de instruções que minha mãe passava pra gente: Não falar muito alto, não falar muito baixo, não encostar na mesa pra não derrubar nada. Eu achava lindo entrar lá e dizer o que estava sentindo e esperar que aquele ser mágico tivesse solução pra qualquer coisa que fosse. Estava decidido, era isso que eu queria ser.
Na adolescência eu queria ser cantora. Eu vivia cantando, cantarolava o dia inteiro! Eu me achava "A Cantora", eu queria ser a Whitney Houston. Achava lindo todo mundo lá, esperando você entrar no palco soltar a sua voz, emocionar as pessoas, embalar os casais apaixonados...E tinha a fama, né?! Eu queria ser famosa! Tava decidido. Era isso que eu queria ser.
Ainda nessa época, só que um pouco mais tarde eu cismei que escrevia os mais lindos poemas do mundo! Eu escrevia sem parar, tudo era inspiração! Tinha cadernos e mais cadernos de poemas, eu tinha certeza de que era a New Generation da poesia mundial. Mas eu nunca deixei ninguém ler os meus poemas, morria de medo de as pessoas não gostarem, medo de que eu pudesse descobrir que não era um talento. Eu nunca tive certeza.
Quando eu tive que decidir, de verdade, eu quis ser professora, professora de História.
Acho que no meu subconsciente essa era a profissão que juntava tudo o que eu já queria ter sido antes numa só!
Tinha o heroísmo de formar cidadãos conscientes (ou pelo menos tentar), tinha a sapiência que eu via nos médicos, essa coisa de detentor do conhecimento,sabe? Tinha o palco, porque na verdade professor é quase um artista, o bom professor detém a admiração dos alunos, o respeito e até certa fama, porque não? E tinha também a questão da intelectualidade de quando eu quis ser poetisa e virar imortal da ABL.

Mas a única "profissão" em que eu REALMENTE me encontrei não fui eu que escolhi, foi ela que me escolheu! Foi quando eu me tornei mãe que eu descobri o verdadeiro significado da palavra realização.
Ai gente, eu tô numa paixonite aguda crescente por essa criança que não passa nunca! rs!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Te contar, viu!


Saudade de quando eu ficava doente, não podia faltar ao trabalho em que eu era a única subalterna (3 chefes e eu, única índia na parada). Ia eu, me sentindo a peeeeeor pessoa do mundo, escravizada, humilhada (Maria do Bairro feelings).
Faltar? Só se tivesse morrido, e tendo que levar atestado de óbito pessoalmente.
Naquele tempo eu podia pelo menos ficar lá quietinha, ser menos simpática que de costume, tomar várias xícaras de chá lá no meu canto, marcando consultas, desmarcando consultas e coisa e tal.
Agora amigo, é o seguinte: Dor, muita! Na cabeça e no resto do corpo. Dariz dodalmende endupido, febre, calafrios e...

Dançar o pula pula, contar historinhas, dar papá pras bonequinhas(minhas netas, há), cantar a música da baratinha, fora as fraldas, os banhos, ninar, alimentar, proteger, não deixar escalar a estante, não deixar cair da cadeira, fazer carinho, beijinho de borboleta, fazer castelinho de lego... Ai.

Se não tivesse todo o amor do universo nesse meio aí, sei não, pediria pra sair! rs!

Ficar doente, depois de ser mãe? Isso não te pertence mais!

sábado, 17 de julho de 2010

Tá difícil hein, Deus...


Deus,
Acreditar em você me deixa feliz, deixa minha mãe feliz, deixa uma pá de gente feliz. Porque sabe como é né?! Assim como os americanos teem o Superman, nós pobres sulamericanos, depositamos todas as nossas esperanças em você. Eu sei por exemplo que se um asteróide vier em nossa direção o Superman não vai se dar ao trabalho de dar uma acordadinha do seu sonho americano pra vir nos salvar, mas você sim. Então você Deus, é tipo o nosso Super Herói.
Mas hoje eu fiquei me perguntando: Se você não pode desviar uma bala que está indo matar um garotinho dentro da sala de aula, num Ciep em área de risco do Rio de Janeiro, será que esse lance de desviar o Asteróide tem chance de dar certo?
Não me leve a mal, eu sei que você tem muita coisa pra fazer e tal, mas é que era um garotinho, né Deus? Podia ter feito um esforço...
Eu quero acreditar sabe?! Mas às vezes fica difícil...

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Querido Blog,

Ando meio sem tempo pra você, a vida anda uma loucura, você sabe. Não fique solitário, aproveite e vá visitar outros blogs, abra seus horizontes.
Não seja dependente, você sabe que eu te gosto muito, mas a vida é assim, todos temos uma série de prioridades que se suplantam às vezes, e sim, um bebezinho dodói, o parto de uma monografia e a procura por um novo lar são muito mais importantes que você, sinto muito.
Sei que você vai ficar bem, seus poucos leitores são fiéis e teem vindo aqui pra ler o arquivo, eu tenho acompanhado a visitação.
Amanhã venho te deixar uma música bem bonita, e até que a inspiração e a calma retornem à minha vida, venho apenas aprovar seus comentários e te fazer um carinho.

Até breve,
Lu

quarta-feira, 7 de julho de 2010

ASSOCIAÇÕES


Sempre odiei, odiei muito quando pessoalzin cisma de associar flamenguista a marginal. Sempre achei o cúmulo do absurdo as musiquinhas preconceituosas das torcidas dos outros times cariocas, em especial as dos senhoresdoutores tricolores.
Brigo, esperneio, fico magoada, horrorizada.
Mas sempre tem um bandido sendo preso ostentando o manto sagrado.
É mais ou menos assim:
RJTV - Foi preso hoje um dos bandidos mais procurados do Rio de janeiro, com ele foram encontradas armas, munições e grande quantidade de maconha.
Quando aparece a imagem tá lá o desgraçado, o tinhoso com a camisa do mengão! Ódio.
Meu discurso sempre é o da coincidência. Mesmo que ele já esteja total fail, eu o mantenho firme e forte, minha tábua de salvação.
Jogador fanfarrão me irrita, mas vá lá, o cara vem de origem humilde, ganha dinheiro pra caramba, fica desorientado, e coisa e tal, compreendo.
Agora, um dos maiores ídolos da torcida se revela um assassino frio e calculista, marginal da pior espécie, que bate em mulher, que vai na televisão e torce pela volta da ex-amante sabendo que a mulher tá cansada de estar morta, pelamor, não possuo mais nenhum argumento. Vergonha e tristeza resumem o meu sentimento.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Uma noite pra recordar.


A minha bichinha fica a maior parte do tempo trancada no apartamento só em minha companhia e apesar de tentar fazer com que o seu mundinho seja o mais agradável possível, com brincadeirinhas e coisa e tal, eu sei que não supro a companhia de crianças da idade dela. Isso é um problema.
Moramos longe de nossos lugares de origem, logo longe de irmãos, sobrinhos, quintais pra correr e tudo o mais. Quando ela chega nas casas das avós é uma festa só, parece a Disney! Quando ela vê uma criança seu rostinho se ilumina, fica toda dada, toda se querendo! rs!
Ontem, enquanto passeávamos aqui pelo bairro, Cecília se depara com a seguinte cena:
Um garotinho de rua brincando alegremente com sua bolinha, a mãe estava sentada na calçada com um bebezinho no colo.
Cecília mais que rapidamente correu em direção ao garoto, rindo e já participando da brincadeira. Ele jogava a bolinha pra ela, ela pegava e jogava de volta pra ele toda sorridente! Nossa primeira reação foi nos olharmos sem saber o que fazer. A nossa mente estava agora na linha tênue que separa cuidado de pré-conceito. Sorrimos um pro outro como quem tenta dizer em pensamento: -Ora essa, deixe de bobagem! E deixamos!
A brincadeira durou uns dez minutos. E nós ficamos lá, morrendo de inveja desse serzinho tão despido de valores equivocados, tão livre das coerções sociais, tão inocentemente lindo!
Na volta, as fraldas e os biscoitos não foram doados a um garotinho de rua, foram presentes pro amiguinho da Cecília!
E o meu coração segue apertado, querendo alucinadamente livrar aquela família daquela situação degradante, mas sabendo que o que está degradado não é aquela mãe, ou seus filhos, o que está degradado, infelizmente, é aquilo que a gente costuma chamar de pátria.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A Volta da Mulher Morena


Quando estávamos começando a namorar,Maridão todo trabalhado na sedução, me deu um CD de poemas do Vinícius de Moraes (Com o próprio Vinícius declamando, uma coisa phyna!).
Ao ler e ouvir "A Volta da Mulher Morena" me sinto perigosa, só digo isso.

A Volta Da Mulher Morena
Vinicius de Moraes

Meus amigos, meus irmãos, cegai os olhos da mulher morena
Que os olhos da mulher morena estão me envolvendo
E estão me despertando de noite.
Meus amigos, meus irmãos, cortai os lábios da mulher morena
Eles são maduros e úmidos e inquietos
E sabem tirar a volúpia de todos os frios.
Meus amigos, meus irmãos, e vós que amais a poesia da minha alma
Cortai os peitos da mulher morena
Que os peitos da mulher morena sufocam o meu sono
E trazem cores tristes para os meus olhos.
Jovem camponesa que me namoras quando eu passo nas tardes
Traze-me para o contato casto de tuas vestes
Salva-me dos braços da mulher morena
Eles são lassos* , ficam estendidos imóveis ao longo de mim
São como raízes recendendo resina fresca
São como dois silêncios que me paralisam.
Aventureira do Rio da Vida, compra o meu corpo da mulher morena
Livra-me do seu ventre como a campina matinal
Livra-me do seu dorso como a água escorrendo fria.
Branca avozinha dos caminhos, reza para ir embora a mulher morena
Reza para murcharem as pernas da mulher morena
Reza para a velhice roer dentro da mulher morena
Que a mulher morena está encurvando os meus ombros
E está trazendo tosse má para o meu peito.
Meus amigos, meus irmãos, e vós todos que guardais ainda meus últimos cantos
Dai morte cruel à mulher morena!

*Frouxos

Hã?


Eis que no meio de uma pseudo crise existencial, uma crise de meia idade deflagrada pelos 26 anos de Wagner Love, uma crise da pedra filosofal e todas as crises possíveis de um ser humano viver eu descubro que vou ser tia-avó. Desestabilizei.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Só Padre Cícero mesmo.


42 mortos e 116.189 pessoas desabrigadas ou desalojadas em Alagoas e Pernambuco.
607 moradores continuam desaparecidos em Alagoas.


"Os cenários são de destruição completa de cidades, como se um gigantesco Tsunami tivesse passado por ali"

Houveram tragédias deste tipo em Santa Catarina e no Rio de Janeiro, em ambos os casos a comoção pública não apenas nos Estados que sofriam os efeitos das chuvas, mas em todo o Brasil foi estrondosa. Familiares de Minas e da Bahia me ligavam querendo saber se eu ainda estava viva, amigas com familiares pelos quatro cantos do Brasil se viram numa enxurrada de telefonemas que aguardavam por boas notícias. Isso tudo favorecido pela grandiosa cobertura das grandes mídias, que tratava o caso com a importância que lhe era devida e em alguns casos até com certa propensão ao exagero.
Mas e o Nordeste? O Nordeste sofre, não apenas com a enchente, sofre com a seca, com a fome, com a miséria, mas o sofrimento do povo nordestino não suscita no Brasil o mesmo tipo de comoção pública.
Os números trágicos do início deste texto parecem não exercer os mesmos sentimentos pesarosos nas pessoas. Vou dar um exemplo: Nas páginas iniciais dos grandes sites só entra aquilo que gera interesse, hoje eu me deparei com a Globo.com sem nenhuma, eu disse NENHUMA menção ao desastre que se abate sobre o povo nordestino. Aconteceu a mesma coisa com o site do Jornal O Dia, e com o do Jornal o Globo, que dedicava um ínfimo quadradinho quase no rodapé da página para tratar do assunto. Esse interesse gerado pelas notícias das primeiras páginas dos sites é medido pela quantidade de cliques que os links dessas notícias atraem. Parece que o Brasil não se interessou muito pelo drama dos Alagoanos ou dos Pernambucanos...
O Nordeste está lá, sofrendo desde sempre e nem quando uma grande trágédia se abate sobre sua terra ele consegue dos brasileiros a empatia que lhe permita receber a atenção que lhe é negada também desde sempre.
Pra piorar este quadro as enchentes vieram em tempos de Copa do Mundo, um tempo em que as pessoas ficam anestesiadas, abestalhadas e pintadas de verde e amarelo.
O que são crianças andando na lama sobre os escombros de suas casas quando se tem um jogo do Brasil amanhã? Nada.
Às vezes me parece que as distâncias geográficas do Brasil parecem infinitamente maiores no imaginário dos brasileiros, que veem o Nordeste como uma África, que sofre sim, mais é tão impossível chegar lá pra ajudar, não é mesmo?
Precisamos contar aos Brasileiros que o Nordeste não está do lado de lá do Atlântico.

Update: Acabo de saber que o número de desaparecidos foi drasticamente aumentado no início da semana devido ao desespero das famílias, são agora cerca de 60. Mas isso é só um número, pra quem perde um ente querido, um quer dizer um milhão.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A sexta, a música, o futebol, a crise...

Resumão da Semana:

Esta semana tivemos jogo do Brasil. Desde que começou esta história de copa temos nos deliciado com a nossa pequena torcedora gritando: -Gooool Bagil !!!!!!!
Eslovênia faz gol? Pra ela é: -Goool Bagil !!!!
Nigéria faz gol? Ela grita: -Goool Bagil !!!!!
"República Popular Democrática" da Coréia do Norte faz gol: É -Goool Bagil!!!!!!
Mas eis que finalmente chega o primeiro jogo do "Bagil" e Cecília demonstra todo o seu entusiasmo pela seleção canarinho:

Dá pra entender? hehehe

Também esta semana tentei mergulhar em uma crise existencial, porque é nos momentos de crise que eu cresço, tomo decisões importantes, inicio planos mirabolantes para conquistar o mundo (uáhahahaha) e inicio estudos para mudar radicalmente meus rumos profissionais.
Mas eu te pergunto querido leitor, como manter uma crise, deprimir, chorar copiosamente e não querer ver ninguém quando se tem que cantar musiquinhas, imitar bichinhos, dançar o pula-pula, ver desenhosinhos felizinhos no Discovery Kids(favor pagar merchand) e tentar não gargalhar com um bebezinho lindo aprendendo a contar: -Ummmmm, doishshshs, têêêêssss, Cáto, Chinco, óóóóve, déichi!!!!! (O seis, o sete e o oito não saem nem com reza brava!)
Dá não, né? rs!
Vô te dizer, depois que a gente é mãe nem crise mais podemos ter.

Pra encerrar vem a música, "Yellow" do Coldplay (amo!),que eu chamo de música pra pensar na vida...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Tô Cho-ca-da!

Reparem na foto abaixo:

Esqueçam o moleque com o pé cheio de lama e a canela russa.
Agora olhem para o Wagner Love. Olharam? Olhem bem, passem os olhos em sua rubronegra figura, vejam que ele tem barba branca!(praticamente,vai!) E não é só a barba não, pelo conjunto da obra eu dava uns 30 anos no mínimo pra ele. Mas não. Wagner Love, do alto de sua cabeleira acaba de completar 26 anos. Eu disse 26 anos.
O meu problema nem é ele ter 26 anos, o meu problema é que eu tenho 27 anos!!!!!!!
Cara, o Wagner Love, até anteontem tinha 25 anos. Eu, em agosto (praticamente depois de amanhã) vou fazer 28 anos!!!!!!
Tô aqui fazendo reza forte para que o Wagner love esteja mesmo parecendo mais velho do que é.
Peeeeeeor vai ser você estar lendo este post e pensando: - Nooooossa a Lu só tem 27 anos, daria uns trinta pra ela no mínimo!
Amizade acaba na ho-ra. rs!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Cecília já demonstra interesse por livros.


Bem... Isso já é interesse, né não?! :)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Sobre quando a gente descobre que cresceu.



Nostalgia é o sentimento-mor do meu coração.
E hoje, com tantas responsabilidades, tantos compromissos, tantos horários, tantas crianças pra alimentar (hehe) me peguei tentando imaginar quando é que foi que eu cresci. Crescer mesmo, sabe?! Virar adulto!
Engraçado é que isso acontece antes mesmo de a gente se dar conta de que está acontecendo. Acho que há alguns sinais de que a vida boa tá acabando que só conseguimos captar assim, num belo dia da vida adulta em que você para e pensa: -Quando foi que eu cresci?

A gente cresce quando começa a comer para se alimentar, e não para matar a fome.
Quando começa a estudar para "ser alguém na vida" e não pra passar na prova.
Quando não tem mais medo da mãe se fez uma merdinha.
Quando não faz merda porque tem medo da polícia. (ou dos bandidos hehe)
Quando descobre que dinheiro não nasce em árvore.
Quando começa a temer a morte.
Quando descobre que o seu lugar é pequeno demais pra você.
Quando chega a primeira carta com o seu nome do destinatário.
Quando descobre que o: -Se vira! Não é só dar uma viradinha.
Quando os sonhos começam a dar lugar aos planos.

A gente cresce, irremediavelmente.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Da Série: Coisas que eu não entendo!


Por que cargas d'água, roupinha e sapatinho de bebê são tão caros se eles são tãããããão pequenininhos????? Por que? Por que? Por que?
Esses dias estávamos numa loja e de repente eu vejo uma roupinha linda, um pedacinho de pano de nada, mas lindinha de viver! Entusismada pergunto pra vendedora:
-Quanto custa essa?
No que ela me responde com a maior placidez:
- 149,90.
Eu:
- Creeeeeedo menina! Népossível! Não-po-de-ser!
E me vira a vendedora:
-Ahhhhh, mas essa é da Noruega!
Marido, igualmente espantadíssimo intervém:
-Ah tá, é importado, né?! (tem os impostos e tal)
E a dita cuja da vendedora explica:
- Nãããão! Noruega é a marca, tá pensando o que? Roupinha de criança também tem marca!
E aí eu te pergunto meu caro leitor: Eu-pos-so-com-is-so?
A pequena criatura nem sabe comer sozinha, quanto mais saber que o pedacinho de pano que ela veste é de marca!
Faça-me o favor!

As Coisas Que a Internet Não Substitui!


Bate papo embalado com cheirinho de café,
Cervejinha no bar,
Passeio de mãozinha dada,
olho no olho sentindo a respiração do outro,
Olhar ábuns de fotografias reveladas dando risadas,
Abraço apertado de saudades,
Amigos de verdade,
Amores de verdade,
Chorar no ombro,
Livros,
Gargalhadas,
Respirar ar puro,
Viajar pra conhecer,
Viajar pra relembrar
(...)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

"A alma encantadora das ruas"

Episódio de Hoje: Um dia comum

Imagem: As calçadas musicais de Vila Isabel

A gente sai de casa, e logo no portão recebe um: -Bom dia!
Da sacada do apartamento de cima um velhinho simpático já nos agracia com essa pérola do bom humor matinal, e o dia que começara mal, clímax de uma noite mal dormida, recomeça de uma forma mais amena, vislumbrando um decorrer mais alegre!
Meio atrapalhada com o carrinho de bebê eu enfrento o percalço do degrau do portão de entrada do prédio e quando começo a maldizer os engenheiros, mestres de obras e pedreiros que fizeram a obra, sou logo interrompida por um: -Quer uma ajuda?
É um homem comum, que no meio da correria do início da manhã rumo ao trabalho, tem tempo pra fazer uma gentileza pra uma dama em apuros. E assim, mais uma vez meu dia recomeça, sigo meu caminho, empurrando um bebê sorridente num carrinho cor de rosa!
E o bebê sorridente faz as pessoas na rua sorrirem também, esquecerem por um instante suas mazelas, suas dores de amor, suas dívidas.
A gente passa pelo restaurante da esquina, o qual a gente se acostumou a chamar de Bundas, porque a família que o comanda tem toda cara de bunda! rs! Seu verdadeiro nome vou confessar, nem me lembro mais, ou faço questão de esquecer, só não esqueço dos seus sabores, incríveis! E fica ali, pertinho de casa! A gente pede e chega tudo quentinho em 20 minutos!
Nossos Domingos terminam invarialvelmente com o seguintes diálogo:
Marido:-Mô, vamos pedir uma pizza no Bundas?
EU:- Siiiiim!
Um adendo: quem vê cara de bunda não vê coração! São todos muito atenciosos e gentis! rs!
Descemos rua abaixo, sendo paradas esquina a esquina pelas velhinhas simpáticas, sempre com um: -Deus abençoe! na ponta da língua. Diante de tanto carinho eu já nem me importo mais com as passadas de mão, os beijinhos e os afagos que me deixavam, mãe de primeira viagem que sou, apavorada com os germes e bactérias no meu bebê! Me dêem um refresco vai! Não me olhem torto que isso era em tempos de gripe suína! rs!
E chegamos à Boulevard, que carrega consigo ainda todos os traços que a imponência da nomenclatura lhe impõe. É avenida de tráfego intenso, constante, mas que, ao mesmo tempo, faz resistir toda uma aura de passeio, de calma, de olhar vitrines, papear com um conhecido na esquina, comprar uma pipoca, sentar num bar, olhar a vida passar!
E aí a gente chega na padaria dos Portugas, e eles estão sempre por lá, ora interagindo com os clientes, ora fiscalizando seu negócio, compenetrados. E não se fazem mais portugas como antigamente! Já os vi muitas vezes liberar uma compra com um trocado faltando, permitir que uns pães fossem doados a uma senhora pedinte, volta e meia os vejo oferecer docinhos pra crianças acompanhadas de seus pais, que vão comprar pão e conversa vai, conversa vem chegam em casa lá pelos idos do almoço!
Deixamos o burbubinho da Boulevard e voltamos pra casa com um pão na mão e um sorriso no rosto!
Vila Isabel é um encanto de bairro, não fosse pela violência, que volta e meia interrompe bruscamente o encantamento, moraria aqui pelo resto da vida!
 
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