sábado, 30 de abril de 2011

UPP




Unidade de Polícia Pacificadora.

Esta é a nomenclatura das UPP's, um sitema de policiamento implantado aqui no Rio para, segundo palavras das próprias autoridades, "Reaver o território tomado pelo tráfico".

Pra quem mora no Rio, juntar em uma mesma sigla as palavras polícia e pacificadora seria até bem pouco tempo motivo de piada, levando-se em conta a péssima imagem que a Polícia Militar sempre teve perante a grande maioria dos cidadãos cariocas.


Todo um histórico de corrupção, truculência e violência colaboravam para a manutenção deste stigma. Quantas e quantas vezes já ouvi que a polícia era pior que os bandidos, que havia mais medo dos policiais que da bandidagem. Eu mesma já disse isso inúmeras vezes, o que é muito fácil, quando não se pensa na situação do cara que estava ganhando mal e porcamente para estar onde todos nós venderíamos a mãe (brincadeira mãe!) para não estar: Na frente do tiroteio.


É claro que há toda aquela história de "Mais nada justifica violência", que eu concordo, mas que é reducionista demais.

A primeira UPP foi implantada em 2008 e de lá pra cá muitas outras se instalaram. Acho difícil que ainda não haja nehum rastro do tráfico nos locais onde elas estão, mas muita coisa mudou na vida de milhares de moradores.

Certamente a mudança mais substancial que as UPP's causaram não é a mudança física, de bandidos fugindo e batalhões sendo implantados dentro de comunidades. A maior vitória da polícia carioca ainda está se desenhando. É a mudança que ainda acontece lentamente e depende essencialmente do sucesso das UPP's: O resgate do respeito e da admiração pelo profissional de segurança pública.

É inegável o fato de que a polícia conseguir algum respeito, dentro de comunidades onde entrava pra matar, é uma vitória e tanto.
Alguns vão dizer: "Ah, mas matavam marginais!"

Sim, marginas cujas mães, amigos e familiares moram na comunidade e dos quais muitos dependiam financeiramente. Não é só o marginal lá dentro. Há que se conquistar, ou tentar conquistar, o respeito de toda essa gente.

Eu moro relativamente perto de uma Comunidade recém-pacificada. Se vocês quiserem saber o quanto saguinários eram os bandidos desta comunidade, basta lembrarem do episódio em que eles derrubaram um helicóptero da Polícia, matando dois policiais em um tiroteio que parecia não ter fim.

Quem morava aqui perto, no dia pensou estar na faixa de gaza.

Era uma facção violenta, composta por marginais jovens, incubidos de todo o sentimento de imortalidade que esta fase da vida possui e agravado pelo fato de não terem nenhuma perspectiva de mudança de vida. Era uma guerra constante, tiroteios, mortes e roubos no entorno da comunidade.

Sobre como está o clima lá dentro, se toda essa utopia está dando certo, só um morador poderia dizer. Vontade não me faltou de ir lá saber, perguntar. Faltou-me coragem, confesso a minha fraqueza.

Mas eu posso falar de um bairro maravilhoso, que perdia a cada dia um pouco do seu encanto por causa da violência constante e que agora voltou a sorrir.

A praça agradável e espaçosa que fica em frente ao morro e que antes vivia triste, vazia, agora fica lotada até altas horas da noite com crianças brincando e velhinhos se exercitando.

O ato de parar o carro em um sinal vermelho ainda gera alguma tensão, mas já não é mais aterrorizante.

Já não andamos na rua sobressaltados, apressados, com a chave do portão em punho.

Tudo está sensivelmente mais calmo, espantosamente calmo.

Esses dias passávamos na rua e avistamos um grupo de policiais andando calmamente, conversando, sorrindo.

Uma cena inusitada, quando penso que antes de a Unidade Pacificadora ser implantada só os víamos de arma em punho, com o semblante pesado de quem é um alvo em potencial.

O fato é que a vida da minha família está muito melhor. E eu desejo do fundo do meu coração que a vida das famílias que moram dentro da comunidade também esteja.

Assim como desejo que tudo isto dê realmente certo, que não seja apenas pra gringo ver na Copa e nas Olímpíadas, que não seja eleitoreiro como tudo o que fazem por aqui.

Que o poder público leve além de segurança, salubridade, educação de qualidade, fontes de renda, dignidade.


Que os sorrisos voltem e permaneçam, em todas as comunidades do Rio de Janeiro.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Desnaturada!

190 postagens, 406 comentários, 7.160 visitas, e muitos causos depois, o Blog fez 1 ano!

Há séculos, no dia 11/03/2011!
Feliz Aniversário atrasado Blog!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Toma Lá Dá Cá Perde.



Um Prédio Muito Louco.

Parece título de Sessão da Tarde, mas é a única descrição que faz jus ao manicômio disfarçado de condomínio em que eu vivo. Vamos começar pelo porteiro, que aqui eu vou chamar de Z, para preservar sua identidade

(Pausa pra fazer um ar de jornalista investigativa).

Seu Z é um senhor franzino, de fala mansa e pausada, mas não se enganem! Seu Z é maldoso, tendencioso, fofoqueiro e se acha o dono do prédio, do mundo, da galáxia. Seu Z é o Big Brother do meu prédio.
Agora vem a melhor parte, os vizinhos.
Vou começar pelo pai do cachorro:

É assim, o cara tem um cachorro, até aí tudo bem. Que tem nome de gente. Até aí tudo ótimo. Eu passo e o cara fala: -Dá licença pra tia passar Marcos*!(tipo, a tia do cachorro sou eu) -Olha a amiguinha Marcos*!(Tipo, Cecília é a amiguinha do Marcos*). Nada contra a pessoa amar o cachorro, cachorros são ótimos, merecem ser amados. Mas o cara entrou numas de que o "filho" é gente, no nível maluquice mesmo.
*Marcos é um nome fictício para preservar a identidade do cãozinho.(Jornalista investigativona)
Tem os velhinhos, um senhor e uma senhora. Simpáticos, agradáveis e aparentam ter uns oitenta anos cada um. Tinhamos uma relação ótima até que um belo dia eu entro e vejo a velhinha sozinha. Pra fazer uma social pergunto: -E o seu marido, está bem? A velhinha me olha com cara de ódio e responde: -Não é meu marido, é meu pai.

(Pausa pra eu morrer de vergonha)

Nossa relação nunca mais foi a mesma...
Tem a maldição do 303, que é o apartamento ao lado do meu. Neste apartamento há uma rotatividade maior que Motel e só moram casais jovens, barraqueiros, que gostam de ouvir música do Belo no último volume e cujo marido é sempre flamenguista fanático (pelo menos isso pra salvar). Sério, esses devem ser requisitos contratuais, não é possível tanta coincidência.

Tem uma mulher que discute com fantasma. Sério. Tu ouve a mulher gritar, gritar mesmo: - Eu vô embooooooooora dessa caaaaaaaaasa. -Cadê meu dinheeeeeeeeeeiro?????? -O que você fez com a minha viiiiiiiida?????
E-só-se-ouve-a-voz-dela. Mas é uma coisa tão desesperadora que eu fico rezando pra mulher não se jogar pela janela. Tenso.
Tem a síndica que não mora no prédio e é "representada" pela mãe dela, uma senhora engraçadérrima que só vive jogando no bicho. (Isso quer dizer todo o poder nas mãos do seu Z, o que não é nada bom).

Tem outra coisa aqui que é péssima: Os moradores proprietários odeiam crianças.Tem dois meninos aqui coitados, que só podem brincar na rua, porque para as crianças é proibido correr, pular, jogar bola, falar alto, ficar perto dos carros, enfim, se puderem não respirar, melhor ainda. Toda a população de crianças do condomínio são esses dois meninos e Cecília. Que tá cada vez mais atentada e bagunceira. Acho que eu devo procurar outro lugar pra morar. Tenso.
Agora o clímax do que é o meu prédio eu deixei pro final.Um dos moradores queria sair. A chave dele não abria a porta. O cara pegou um vaso de cerâmica de uns dois metros que tinha aqui no hall e jogou contra a porta de vidro estilhaçando-a. Isso 5 da manhã. Barulhão enorme, marido querendo ir ver o que era (forte, lindo, viril) e eu de-ses-pe-ra-da:


-Amoooooor não vaaaaaai! Eu tô muito nova pra ficar viúúúúúvaaaaa. Enfim.Devo procurar outro lugar pra morar?

terça-feira, 12 de abril de 2011

Café, Cachaça e Chorinho!

Tem como um festival com esse nome não ser uma delícia? Acontece todos os anos nas cidades do Vale do Café aqui no Rio.

Esse vídeo em que eu demonstro toda a minha perícia na gravação de vídeos (cof,cof) eu gravei em Mendes, cidade do meu querido Dudu, na noite do último sábado.

Uma noite inesquecível com amigos incríveis!

A boa música eu trouxe pra vocês, a boa comida e a boa cachaça só indo lá mesmo! Agora os amigos incríveis são só meus, porque eu sou possessiva! rs!

terça-feira, 5 de abril de 2011

Felicidade é isso aí mesmo.


Não tem mistério nenhum. De repente você acorda de manhã e ôpa, não tem nenhum problema te apurrinhando, os problemas todos estão lá, beleza, mas não te apurrinham.

Felicidade é uma coisa que só chega quando você pára de ficar desejando ardentemente. Um belo dia você acorda e tá lá, felizão. Uma espécie de felicidade pé no chão muito melhor que aquela que a gente não alcança nunca, utópica.

E hoje foi assim. felicidade no modo pá pum. Felicidade sem nhém nhém nhém, sem por quê nem porém. Eu tô feliz e ponto. A vida tá uma zona. Mas o coração tá levinho, levinho.

quinta-feira, 31 de março de 2011

É Normal ser Normal?



Eu tenho crises de riso. Do nada eu lembro de alguma coisa engraçada e me vem um espírito malígno do riso frouxo e se apossa de mim. Mas não tem santo que me faça parar e até que eu me recomponha, os maxilares estão doendo, 5741 pessoas acharam que eu sou maluca e 548925 acharam que eu estava tendo uma síncope (vocabulario riquíssimo, observem).


Sim, porque uma pessoa rindo sozinha dentro de um ônibus não é nada normal, todo mundo concorda?

Pois bem.

Mas eis que hoje, pela primeira vez eu consegui conter a crise de riso antes que ela beirasse as raias do ridículo. Eu agi como uma pessoa normal.E fiquei triste.

Por que sabe, o negócio era muito engraçado, merecia um riso frouxo, mas o que conseguiu foi uma pessoa adulta engolindo o riso como quem engole o choro.


Quantas e quantas vezes a gente deixa de fazer o que tem vontade porque não é normal que se faça aquilo?

Quantas vezes a gente deixa a "normalidade" transformar a vida, essa coisa linda que morre a cada segundo em pura mecanicidade?

É claro que não dá pra fazer a lôca e sair por aí fazendo topless (não que eu queira fazer isso viu marido? que fique claro.) mas pô, uma crise de riso, dançar na chuva, cantarolar um funk, se acabar de dançar de pilequinho na festa do amigo pode. Não pode Lombardi? Pode sim Sílvio!


sexta-feira, 25 de março de 2011

Perfeição


Quando eu era criança o meu mundo perfeito tinha uma mãe que não ficasse a semana inteira longe de mim, tinha toda a coleção de botas da Xuxa, eu descendo juntinho com ela da nave e sendo escolhida pra ser Paquita.
Tinha uma boneca chamada Lu Patinadora e outra que se a gente colocasse no sol ela ficava com marquinha de biquíni.

Nesse mundo eu nunca precisaria ir pra escola se tivesse chovendo, não haveria pentes pra tias bruxas pentearem o meu cabelo (porque doía taaaanto...) e Maria Joaquina não faria maldades com o Cirilo na novela Carrossel.
E pra completar a perfeição desse meu mundinho , eu poderia comer todo o chocolate que houvesse no universo, sem pagar.


Muitas águas rolaram desde que eu deixei esse mundo lindo pra lá e me joguei na realidade da vida, mas eu continuo a sonhar com um mundo perfeito, em que fadinhas cuidadoras de crianças cuidariam da minha Cecília como se fosse um pequeno tesourinho, não me cobrariam os olhos da cara por isso e ela nunca, jamais, em hipótese alguma ficaria doente.

Nesse meu New Perfect Word (toda trabalhada no Inglês) monografias se auto-escreveriam depois de uma auto-leitura de livros e ganhariam nota dez, óbvio. Os ônibus teriam sempre um lugarzinho pra eu sentar, e aquela pessoa que sentasse do meu lado teria tomado banho antes de sair de casa. Casas se auto-arrumariam, comidas se auto-cozinhariam e roupas se auto-lavariam, ou seja, a dupla jornada se auto-destruiria.

Eu aprenderia a dirigir sem ir a auto-escola, e o meu cabelo ja-mais se rebelaria contra mim. O fim de semana duraria o tempo necessário para que eu descansasse e ele seria utilizado para descansar e não para organizar coisas.

E para completar a perfeição deste mundo eu poderia comer todo o chocolate que houvesse no universo, sem engordar.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Tô Respirando.


Isto quer dizer, teoricamente, que eu estou viva. Teoricamente amigos, porque na prática eu estou morta. Mortinha do Luís Inácio Lula da Silva, morta com farofa.
Voltei a trabalhar. Assim, à moda Vargas, hora pra entrar hora pra sair, hora de almoço, hora, hora, hora! Sou de novo escrava do relógio, eu olho pra ele e ele canta: Lerê, lerê... Pelos menos não me chicoteia, o que já é grande lucro!
Mas deixa eu fazer o que eu mais gosto de fazer neste blog? Falar da Cecília!
Que foi pro horário integral da escolinha!

Pausa para um choro contido.

De 8:30 às 18:30!!

Pausa para um choro copioso.

O que me faz morrer de preocupação/saudade/ficar com o coração partido!!!

Pausa para um choro histérico.

Gente isso é muito cruel. É uma coisa linda essa teoria de que a mulher tem que trabalhar, produzir, participar da vida econômica, ser independente e blablabla Wiskas (Né Cristal!?).
Beleza, super concordo, super me faz bem.
Mas e a filharada? E o instinto maternal de querer cuidar da cria lambendo-a o dia inteiro? E a vontade louca de largar tudo no meio do dia e ir pra casa trocar uma fralda de cocô? (eeer... menos...) Fica aonde?
Ahhhhh, disso aí os teóricos da independência feminina não querem saber, né?
E aí, quando tem uma mulher que diz que não quer ter filhos, todo mundo olha com cara de:
-Ohhhhhh, mas que fria, calculista!
-Não quer gerar uma vida, um milagre!
Todo mundo preocupadinho com a preservação da espécie, isso sim!

Eureka! (eu sempre quis dizer/escrever isso! hehehe)

Mulheres, nos uniremos em uma greve de geração de filhos até que cada estabelecimento de trabalho feminino tenha uma creche! E mais: Que permitam que a gente vá lá fazer guti-gutis nos filhos na hora que em bem entendermos!
rs!

Mas é isso aí pessoas, saudade desse cantinho me transborda no peito(sertaneja, eu?) mas tá meio difícil escrever aqui com a frequência que eu gostaria...
Mas ó, eu dou uma sumidinha pra em seguida dar uma aparecidinha!

Beijos enooooooormes!
Lu

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

"Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí..."

É hora de rever conceitos, teorias, planos, urgências e medos.
Deixar pra trás o que tiver que ficar, correr atrás do que tiver que alcançar .
Porque sonhar é bom , mas realizar é melhor ainda.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

"Tô me guardando pra quando o carnaval chegar..."


O Domingo foi de samba, e o samba me invadiu, me sequestrou e dele só quero me livrar na quarta de cinzas.

O Domingo foi de samba, quadra do Salgueiro, lotada. Foi o dia da feijoada que não foi, mas quem liga? Juninho liga.
E o porteiro dizia: -Mas não tem mais camisa!
No que o Juninho retrucava: - Mas eu não quero camisa, eu quero feijão!
E quem disse que no mundo do samba não tem regras? Tem sim: Sem camisa, sem feijão!

E quem vai discutir com o homem da portaria? É ele quem abre as portas pro samba!
Entramos!
Ahhhhh, o samba! Quem não gosta, como já dizia o poeta, bom sujeito não é! É ruim da cabeça, doente do pé e traz consigo uma pontinha de infelicidade. Porque é no samba que ela mora, a tal da felicidade, estampada no sorriso da mulata, reside bem ali, na ginga da passista, no abanar do leque das senhoras da velha guarda!

No samba, por um segundo seu coração se transforma em bateria, bate no compasso dos tamborins, você faz parte do show.

A quadra do salgueiro é sim um caldeirão, 30 minutos em que o sistema de ventilação parou de funcionar e o caldeirão ferveu! Nunca suei tanto na minha vida, a blusa grudava no corpo, o samba grudava na alma.
E lá ia o amigo do Juninho procurar um lugarzinho mais fresco... Como assim menino? Tá tudo fervendo!
E todo mundo sambava, Marido bebia a cerveja que descia gelada aplacando o calor e relaxando a mente, enquanto no palco começava o show do Diogo Nogueira e no chão começava o show do coral que cantava as músicas como que energizando o artista.

Era chegada a hora da partida, mas não sem antes assistir à entrada triunfal da Banda da Rua do Mercado, uma das mais tradicionais do Rio. E tudo virou um contagiante grito de carnaval, com marchinhas, trenzinhos, pulos, palmas, sorrisos e tudo o mais que há de bom nessa vida!

Da quadra do Salgueiro você sai cansado como nunca, mas numa estranha contradição, com as baterias recarregadas pro resto do ano!

Aqui no Rio o calendário não tem vez, os dias de folia estão marcados em vermelho no mês de março, mas o Fevereiro já é todo carnaval!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A sexta, a música e eu adoro duetos!

Capital Inicial
É fato que a banda fez parte da minha juventude (Oi, sou velha?) mas sei lá, a maior parte das músicas tem um nanananana, ou um lalalalalalala, ou pior um nanana misturado com lalalala que vira nalanalanalanala, um bagulho muito doido que parece que tá enchendo linguiça porque não tinha mais o que escrever.
Enfim. Não fui fã do Capital, mas aprendi a gostar. Essa aí por exemplo eu adoro!
"Eu Vou Estar" música boa de ouvir e de cantar bem alto(inclusive o nananana do final! rs!)
Acústico MTV com participação da Zélia Duncan, muito bom!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Depressa demais.

Enquanto eu ainda me acostumava com o fato de que a minha irmã não era mais aquela menininha que eu, aos trancos e barrancos, da melhor maneira que pude, ajudei a criar, me caia no colo a notícia de que ela estava grávida.
A barriga crescia e eu não acreditava. Eu tentava olhar diferente, esfregava os olhos mas só conseguia enxergar a Bia, a minha Bia, que não ia ao banheiro sozinha, que só comia a comida amassada, que fazia casinhas de boneca por todos os cantos da casa, que eu penteava o cabelo e levava pra escola.
Até que um dia eu vi aquele bebezinho no meu colo e a ficha caiu. Era a filha da minha irmã, e não era uma boneca, que ela deixaria lá pra que eu guardasse depois de enjoar da brincadeira, era uma realidade que me chocava e me alegrava ao mesmo tempo, difícil descrever.
Depois da Raíssa nasceu a Ingrid, e essas duas criaturinhas me fazem morrer de amores cada vez que eu as vejo. Já faz sete anos, mas parece que foi ontem.

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Era 1º de Janeiro, a euforia pela chegada de um novo ano se misturava ao nervosismo de ser apresentada a família do namorado (que mais tarde seria promovido a marido. rs!).
Fazia uns 40 graus, Janeiro começava quente e enquanto eu ia chegando, as mãos suavam tanto que me davam a impressão de estarem virando líquido. Entramos, e eu me deparei com uma família inteira reunida, muita gente, muitos sorrisos, muitos abraços e eu me senti bem vinda, como nunca antes.
Mas no meio daquele monte de gente eu só tinha olhos pra elas! Seus cabelos imensos, lindos! Seus olhos cor de mel, o jeitinho de sorrir fechando os olhos, até nisso elas eram idênticas!
As vozes, o jeito de andar, pareciam uma só pessoa, que havia sido clonada. Lindas de morrer, e eram gêmeas, idênticas! Beleza ao quadrado! Tinham 14 anos mas eram altíssimas, maiores que eu e de repente me chamaram de Tia! Tia Lu! Morri!
Foi amor à primeira vista.
E assim eu ganhei duas sobrinhas, dois amores novos e divertidos!
Aos poucos elas foram crescendo, se tornando cada vez menos molecas, cada vez mais mulheres.
Hoje elas estão com dezoito anos e neste exato momento em que eu escrevo a Rayana está dando à luz seu primeiro filho, a Rayza passando pelo mesmo choque que eu quando nasceu minha primeira sobrinha e eu tô aqui quase parindo também de tanta ansiedade! rs!
Já faz quase cinco anos que eu vi aqueles olhinhos sorridentes pela primeira vez, mas parece que foi ontem!

As minhas meninas crescem depressa demais
.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Um tapinha dói sim. E dói na Alma.


Das poucas convicções que me sobraram nesta vida, tem uma da qual eu não abro mão de jeito algum: A total e completa aversão à violência contra a criança.

Considero uma covardia sem tamanho uma pessoa, munida de todas as suas vantagens em relação ao filho (tamanho, força, maturidade) se achar no direito de puní-lo com castigos físicos. E quando digo castigos físicos estou equivalendo um tapa a uma surra. Não existe meio termo. Violência é violência e ponto.

Já discuti sobre isso com muita gente, a completa maioria discorda de mim, acha que um tapa na hora certa corrige o mal passo do filho. Não entendo, nem me esforço pra entender.

Algumas vezes me vi interferindo pra tentar ajudar crianças sendo surradas pelos proprios pais, aqueles que, a meu ver, deveriam lutar pra que suas crias passassem pela vida sem adquirir um trauma como esse. E ouvi várias vezes a célebre frase:
-Mas o filho é meu e eu bato como e quando eu quiser.
A frase transborda sentimento de posse, como se o filho fosse um bem material, que depois de adquirido, passa a se submeter a qualquer coisa a que seu dono o impuser.

Minha mãe sempre nos criou sozinha trabalhando fora, ficando a semana inteira longe de casa. Sempre tivemos que ficar sobre o "cuidado" de vizinhas e de uma tia.


 Já apanhei, já vi a minha irmã apanhar com o coração despedaçado por não poder intervir. 
Apanhamos da mãe, da vizinha que era paga pra "cuidar", da tia que deveria proteger, uma época nada fácil. 

A intensidade do castigo variava conforme o "motivo", mas sempre dói na alma. 

Passamos o pão que o diabo amassou, até que eu desse um basta e aos doze anos dissesse à minha mãe que conseguiria cuidar de nós duas sozinha. Assim, eu amadureci mais depressa do que deveria.

Os meus traumas serviram pra me distanciar deste modelo, tirar da experiência ruim a vontade de não permitir que a minha pequetita viva o que eu vivi. Mas a maioria prefere achar que está no exército e ficar com o esquema "se eu apanhei meu filho vai apanhar também"

Muitos preferem impor o regime tirânico do medo, óbvio, é mais fácil levantar um chinelo que ter que apontar todos os caminhos, dizer que não pode, por que não pode, tentar compreender algum tipo de problema emocional que possa estar levando a um comportamento indevido por parte da criança. Muita gente põe filhos no mundo só pra cumprir tabela, não tem um pingo de paciência, descontam neles suas frustações. E isso é muito triste.

Estou com uma menina de dois anos em casa, sei muito bem que a educação de uma criança não é o mar de rosas que muitos pensam que é, mas é inimaginável pra mim, usar a minha força pra castigar a minha filha.

Por hora eu só prosso proteger uma criança e isso eu farei com garras de leoa, mas meu coração não deixa de ficar aflito pelas crianças que são diariamente agredidas e humilhadas, que vivem sob a tenebrosa sombra da mão de um adulto.




sábado, 29 de janeiro de 2011

Tia Paula, não se váááááá... (E uma musiquinha pra me animar!)

No meio do drama todo da primeira vez de Cecília na escolinha, surgiu um acalento pro meu coração: A Tia Paula.
Extremamente doce, gentil, de fala mansa, que exalava carinho pelas crianças e dedicação pela carreira (muitas vezes subestimada e desvalorizada) de professora de educação infantil.
Toda a angústia que eu sentia ao retirar a minha florzinha do seio da família e entregá-la ao mundo feroz (dramática, eu?) foi amenizada ao descobrir que ela estaria sob os cuidados daquela figura que me transmitia tanta confiança.
E tudo o que eu esperava se concretizou. Cecília caiu de chamegos pela "Tia Paua" - Assim mesmo, sem o L. rs!- Houve até um episódio em que eu cheguei a sentir um ciumezinho lembram? Tá bem
aqui .
Pois bem, o ano passou e me veio a ótima notícia: No próximo ano Cecília não passaria de série porque ainda é muito pequetita, continuaria com a Tia Paula, no maternal II.
Nas férias foi um tal de Tia Paula pra cá, Tia Paula Pra lá, falamos muito nela pra que Cecília não desacostumasse. Hoje vou à escola entregar os materias e recebo a nóticia de que a Tia Paula recebeu uma proposta de emprego muito melhor e foi-se embora.
Arrasei.


Um minuto de silêncio.


Após me indignar por um minuto com a ambição da humanidade e logo cair em mim de que vai ser ótimo uma profissional tão boa ganhar mais pelo seu trabalho, cheguei em casa tentando convencer Cecília de que ela não está com saudade da tia Paula e sim da Tia Sônia (A Substituta - assim mesmo, bem emblemático, tô arrasada, compreendam)

Por mim seria Tia Paula até a Universidade. Pronto falei. rs!

A música eu ouvi esses dias e me apaixonei pela simplicidade.
"Sou uma criança não entendo nada" do Tremendão Erasmo Carlos. (Só eu acho que Erasmo tem muito mais borogodó que Roberto?)
Nesse clipe Arnaldo Antunes divide com ele essa delicinha com vibe Jovem Guarda.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O que você procura no google?


Eu morro de rir com os "termos da pesquisa" das pessoas que chegam aqui no blog através do google! Sente o naipe:

"relaxa que eu to vivendo" - Que bom né? Creio que se tivesse morrendo não estaria pesquisando no google!

"porque eu sou marxista" - Fico pensando se esta pessoa é discípulo de Marx ou escreveu machista errado...

"astarpelas" - Seja lá o que isso for, acho que não encontrou por aqui...

"caminhão assombrado 2" - Deve ser um filme de terror, e tipo, já teve a té o 1!

"casamento luciana mattos 12 de junho de 2010" - Deve ter acontecido um babado fortíssimo nesse casamento, porque o que as pessoas procuram notícias sobre ele!

"coloca bolacha na boca e cospe engorda" - Gente, mas o que é isso? Se eu entendi bem, a pessoa quer colocar a bolacha (biscoito?) na boca e jogar fora pra não engordar. É isso Lombardi?

"como cantar parabens pra vc nesta data querida?" - Ó é assim: Parabééééns pra vocêêê, nesta daaaaata queriiiiiida...

"como se escreve ainda te amo muito meu amor,é com você que eu quero tomar sorvete na chuva em inglês?" - Não seria melhor usar um tradutor? E como assim tomar sorvete na chuva?

"clipe de bebe que sao engracados que comem meleca" - Gente, bebês que comem meleca não são engraçados. Fato.

"cortar a unha do marido" - Manda ele ir na manicure gata.
"cortar unha do pé namorada" - Cada um com seus fetiches, né mesmo?
"estou fazendo dieta posso comer a bolacha da vaquinha?" - Hum hum, só pode comer brócolis.

"eu faço reg no meu ape meu vizinho fica suspirando" - Eu não sei o que é reg, nunca fiz (acho) e muito menos contei no blog!

"fale olhando para a pessoa para anular mau olhado" - Opa, bom saber!

"fotos da barbie verdadeira quando era jovem" - E Barbie envelhece?

"marido sem tesão por esposa gestante" Super compreendo.
"minha filha gosta de mostrar a calcinha" - Dá um jeito nessa desavergonhada!

"o que eu responde se alguem me perguntar se eu ja chupei bala halls ?" - Se bala halls hoje em dia não for codinome de alguma droga viciante diga que sim, caso você seja um ET e nunca tenha chupado uma bala halls diga que não.

"poemas meu maior sonho(é ser policial)" - Deve ser um poema muito... poético!

"por que voce quis ser professora?" - Para dominar o mundo. Uáhahahahá

"rock do coelhinho" - Deve ser hardcore.

"sera que a quina e uma mulher ideal para banhar" - Fale-me mais sobre isso...

"ta dificil ser professor de historia" - Também acho.

"vai se preocupar com sua vida pois ela sim ta correndo risco idiota" - Meda.

"Vou à psicologa vou ao médico ou ao curandeiro" - Vá ao curandeiro.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Me faltam palavras...

Mais uma tragédia no meu Rio de Janeiro.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Que mané Dilma!


A minha Presidenta é Patrícião Amorim que toda trabalhada no garbo, na elegância e na negociação futebolístico milionária que tanto que me envergonha num país cheio de gente necessitada, trouxe RRRRRRRRRRRRRRRRRonaldinho Gaúcho para o meu amado Mengão!


RRRRRRRRRonaldinho vai sambar e bater pagode? Vai. Vai usar de todo o seu charme e beleza pra "pegá mulé"? Vai. Vai faltar treino e dizer que a vó caiu da lage de madrugada? Vai. Mas que faça gols, muitos gols e acalme o aflito coração da nação que tanto sofreu em 2010.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Se a Psicóloga tá surtada...

Imagina eu!



Uma notícia que vinha prendendo muito a minha atenção desde o último domingo era o desaparecimento de uma psicóloga aqui no Rio. Estava pensando muito nisso e acho que tamanho interesse tem dois motivos: Primeiro porque o desaparecimento havia se dado em um lugar muito familiar pra mim, o bairro do Jardim Botânico onde eu trabalhei por 4 anos, segundo porque desaparecimentos me dão um nó na garganta.

Posso estar exagerando pela falta da experiência, mas eu sinto que um ente querido desaparecer deva ser pior que receber a notícia da sua morte. Você não saber se uma pessoa querida está sendo torturada, maltratada, violentada, a falta de paradeiro, de informações, é a pior angústia que alguém pode sentir. Principalmente casos como o da Priscila Belfort a irmã do Lutador, ou da engenheira Patrícia, jovens, bonitas, bem nascidas e bem criadas, em que investigação nenhuma se conclui, corpo nenhum é encontrado. E esses são apenas dois casos que tiveram destaque na mídia aqui do Rio, muitos outros casos estão aí, à espera de solução, e sequer veem a público. É inimaginável a dor de uma mãe que vai até o quarto de seu filho e vê a cama vazia sem saber o que aconteceu, como e porque desapareceu. Pior, sem saber onde e como está naquele momento.

Eu estava angustiada, com o desaparecimento da psicóloga, a mãe dizendo que só sabia rezar e chorar que é o que ela, já uma senhora de certa idade, podia fazer.

Mais eis que na tarde de hoje encontraram a pobre moça, na garagem do próprio prédio, encolhida no porta malas de um carro. Visivelmente desequilibrada e debilitada.

A primeira conclusão da delegada é a de que ela, em um momento de surto, se escondera propositadamente, quem sabe até em diversos locais do próprio prédio. Gente, uma psicóloga! Que trata da saude mental das pessoas! É no mínimo estranho.

Mas enfim, eu senti uma felicidade tão grande por saber que aquela mãe vai poder abraçar a sua filha novamente, cobrí-la se estiver frio, dar-lhe um beijo de boa noite, que me escorreram lágrimas pelo rosto.

Pensando no mínimo que eu posso fazer, vou tentar colocar o banner da Fia com retratos de crianças desaparecidas aqui no blog, e você caro amigo blogueiro, se puder fazer o mesmo pode estar ajudando a acalmar um coração aflito, em algum canto desse Brasilzão.

Update:

Não achei o banner no site da Fia, que é onde teria atualizado.

Mandei um e-mail solicitando-o, se me mandarem vocês copiam daqui!


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A tal da Barbie verdadeira.

Quando eu era criança pequena lá em Barbacena acalentava o sonho de um dia ganhar uma Barbie verdadeira (Não as genéricas, horrorosas, sem glamour).
Naquela época minha mãe dava um duro danado pra conseguir criar a gente. Aquela vibe pouca grana, nenhum pai pra ajudar. Gente, a Barbie era meu sonho!
Era um tempo difícil, apesar de não passarmos necessidades extremas, era muito difícil comprar supéfulos, brinquedos caros. Cartão de crédito era pra poucos. Hoje em dia não, tudo é mais fácil, as empresas imploram pra te dar um cartão de crédito e você vai lá e compra em 1.000 vezes com juros (baita juros! hehehe)

Mas eis que neste Natal demos uma Barbie pra Cecília. Toda trabalhada nos acessórios e apetrechos, horrorosa, como toda Barbie que se preze, né? Magrela, loira, maquiada, um sonho! rs! (Tô contraditória?)
É essa aí da foto! Vem com roupinha de piscina (que ok, é meio piriguete), com uma bóia pra nadar na piscina, cachorrinhos que nadam na piscina, bola pra jogar na cesta de basquete da piscina, tolhinha pra se secar depois do banho de piscina e gente:
ELA VEM COM UMA PISCINAAAAAAAAA!!!!!! UM BAITA PISCINÃO!
Tô brincando horrores com a Barbie! Tipo, eu considero muito minha essa boneca! kkkkk
Cecília mesmo nem aí pra Barbie.

Segue o nosso último diálogo:

Eu: -Filha, vamos brincar de Barbie (pela enésima vez desde o Natal)
Ela: -Qué não mamãe.
Eu: -Vamos filha, olha que legal, tem piscina!
Ela: -Qué não mamãe.
Eu: -Ó então vou brincar sozinha, hein!
Ela: -Tá bom.


Amarra esse laço direito!


Gente! Falei com a Érika!!!!!!! Ela leu meu post e me ligou na noite de Natal, é ou não é um presentão?!
E agora nós VAMOS MARCAAAAAAR!!!!!! Mentira, a gente não disse "vamos marcar!", porque quem diz isso nunca marca nada! rsrs! (Não entendeu nada? É só ler uns dois posts abaixo que você entende!)

Mas aí pensando nisso tudo, me lembrei de muitas pessoas com as quais não tenho mais contato. Tanta gente boa! É impressionante a quantidade de pessoas que passam pela nossa vida e não permanecem. Amigos de escola, de cursinho, vizinhos que deixamos de ver quando nos mudamos, professores, até parentes!
As relações humanas estão muito fluidas, estamos perdendo a capacidade de manter amizades, sentimentos bons, deixamos que a distância separe amigos, amores...
Muita gente tem lá 1348789 "amigos" no Orkut, no Twitter, no Facebook ou seja lá que nova bodega social inventaram, mas não tem uma pessoa de carne e osso em quem confie de verdade, alguém com quem possa desabafar sem medo de chorar e parecer bobo, alguém de quem se sinta falta.
Me lembro de quando era criança e enquanto amarrava o cadarço do tênis, me preocupando em deixar o laço bonito, minha mãe dizia: -Amarra esse laço direito! Senão ele solta!
Acho que acontece a mesma coisa com a gente, nos preocupamos em deixar bonitos os laços que fazemos com as pessoas, não nos mostramos de verdade, mascaramos defeitos e óbvio, não os queremos ver no outro. O resultado é um laço lindo, mas que se desfaz no primeiro percalço.
É verdade que tem muita gente que passa e que não nos traz nada de positivo, esses é bom que partam mesmo. Mas se você sente que alguém com quem convive vale realmente a pena, faça como a minha mãe me dizia:
-Amarra esse laço direito!
Se lembrou de alguém valioso que ficou perdido no passado não hesite em procurá-lo, faz um bem danado!

Você nem repararam que nessa época do ano eu viro uma manteiga derretida, né?! rs!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

.:.:Um Natal Diferente:.:.


Me lembro bem dos meus Natais, todos eles, porque todos são extremamente parecidos. Correria, comidas e mais comidas, presentes comprados às pressas, amigos ocultos, muito vinho, algumas rusgas entre familiares ou amigos da família, calor, consumismo, decorações bizarras lembrando neve num país tropical.
Meus Natais eram uma sucessão de repetidas tradições furadas em que o único momento que lembrava de longe o que é que se está comemorando é o abraço, muitas vezes mecânico, à meia noite.
Nunca fui religiosa, ou quando o fui não sentia que a religião que havia escolhido era muito mais do que a burocracia dos ritos da igreja e isso sempre me incomodou profundamente.
Me batizei, fiz Catequese, Primeira Comunhão, Crisma, mas nunca, nem mesmo nesses momentos ditos "mais marcantes" do Catolicismo eu senti tanto a presença divina quanto na noite do dia 24 de dezembro de 2010.
Neste Natal, fiquei com a família da Cris, minha cunhada, a pessoa mais doce da face da terra. São católicos fervorosos, participam ativamente da vida da comunidade da qual fazem parte. (Muitas vezes já me peguei pensando sobre o exagero que eu pensava existir neste fervor)
Mas nesta mágica noite de Natal eu entendi o motivo.
Não havia derrame de bebida alcoolica, não havia comilança desenfreada (e não era por falta de comida, que era farta e deliciosa) nem a algazarra da música alta e inadequada.
Havia respeito, entendimento sobre a importância da data, havia uma aura mágica que parecia multiplicar o amor das pessoas que ali estavam uns pelos outros. Ao som de um cântico natalino agradecemos pela comida, pelo ano que tivemos, pedimos pelo próximo ano, cada um na sua vez, segurando uma pequena imagem do menino Jesus, em voz alta ou apenas fechando os olhos, silenciosamente.
Eu pedi pela saúde da minha filha e pela primeira vez eu confiei piamente no que estava fazendo, pela primeira vez eu tive uma certeza, saída do coração de que havia alguém me ouvindo, ainda que eu estivesse em silêncio. Pela primeira vez a minha fé me tocou, e eu não estava em uma igreja.
A fé habita as pessoas, não os templos
.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Era uma vez...

Uma amiga.

O ano era 2004, primeiros dias na faculdade, tudo ainda muito novo, muito tímido, era um mundo novo!
Eu, que vinha de um colégio em Nova Iguaçu (O João Luiz um dos menorzinhos e mais "familiares" da FAETEC), me deparava com aquela monumentalidade gigantesca que é a Uerj.
Tudo era maior, mais impessoal, as pessoas da minha classe que logo se enturmaram eram aqueles mais dados à noitadas, cervejas e festas, o que definitivamente não era o meu caso. Os primeiros dias não foram fáceis. Ao mesmo tempo em que eu estava feliz e deslumbrada, estava me sentindo solitária naquela multidão toda que passava pelos corredores.
Tudo o que eu queria era as minhas amigas do segundo grau ali (e que permanecem amigas até hoje, muito!) pra compartilhar daquilo tudo, dar risadas dos tipos estranhos (o tipo de atitude anti-ética que a gente só faz em bando hehehe), desbravar aquela selva de concreto. Mas eu tinha que me conformar, cada uma tinha passado pra uma Universidade diferente e os caminhos agora eram inevitavelmente diferentes.
Mas a minha era de solidão estava com os dias contados! Logo, logo eu viria a conhecer a Érika, super contida, mas sorridente, super elegante, super inteligente sem parecer esnobe, super um montão de coisas que me fizeram sentir uma empatia quase que imediata!
Não éramos extremamente parecidas, nossas personalidades eram até bem diferentes. Eu, um tantinho menos elegante, um tantinho menos contida, um tantinho mais tagarela, um tantinho mais dada ao riso frouxo, e esses tantinhos viram um tantão quando a convivência é diária!
Mas foi um tantão que não fez a menor diferença, porque como eu já disse, a empatia foi tão grande que suplantou qualquer atrito.
E nos tornamos amigas (eu pelo menos, pensava assim). Dividíamos os dilemas da escolha da profissão, eu cansava de alugá-la com meus problemas familiares, nos estressávamos com os professores, com os trabalhos, com a burocracia da Uerj, mas no final sempre ríamos de tudo.
Em pouco tempo eu já a considerava amiga de verdade, do peito, de fé irmã camarada, e pra esses amigos eu me dou inteira, sem disfarces, sem meias palavras. Por esses amigos eu faço tudo o que estiver ao meu alcançe, eu subo no palanque, testemunho, grito se tiver que gritar, choro se tiver que chorar, peço muito mais conselhos que dou, confio e admiro.
Pra mim, a Érika seria uma daquelas pessoas que me acompanhariam pra vida inteira, por quem meus filhos teriam um respeito maior, porque afinal são quase tios, alguém de quem eu saberia sempre, saberia se está triste pra acalentar, e se está feliz pra vibrar junto.
Mas em algum momento, que eu já tentei descobrir qual foi e não consegui, eu me enganei. O que eu achei que era recíproco não era, ou vai ver era e deixou de ser... vá saber...
Já tentei me reaproximar de algumas maneiras mas não consegui e o receio de parecer chata e invasiva me fez limitar estas tentativas.
A verdade é que eu já inventei milhões de teorias pra explicar o sumiço da Érika e chego sempre a mesma conclusão:
Acho que pra ela eu não era essa Coca Cola toda, eu não era assim... Uma Brastemp!
Eu fico triste, sabe?! Mas aqui dentro do meu coração eu fico torcendo pra que ela esteja bem, feliz, realizada. Pra que todos os planos que ela fazia estejam dando certo, enfim, eu torço horrores pela Érika porque ela merece, muito!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Pirulitos e Sorrisos.

Ciça, faz uma pose bem bonita pra mamãe?


Ciça dá um sorriso bem bonito pra mamãe?


Ciça, dá um sorriso que eu te dou um pirulito!

Ufa! Feliz Natal Pra vocês!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

2010, se for por falta de tchau...

glitters



Então 2010, você não foi um ano bom. Eu sei, é chato te falar isso agora aos 45 do segundo tempo, mas é a mais pura verdade meu caro. Na verdade eu estava querendo saber se você me reservaria alguma surpresa até o finalzinho de dezembro mas parece que não vai rolar.
Você foi um ano preguiçoso, lento, vagaroso. E eu tenho tanta pressa 2010!
Embarquei na tua e cá estou eu, com meus projetinhos todos, TODOS inacabados.
Eu sei que muita coisa foi culpa minha, os dilemas da escolinha, os dilemas da profissão, os dilemas, ah os dilemas! O que seria da minha vida sem eles?
Aí você vai me dizer: -Pô Luciana, não teve nada de bom? E a filha, o marido, pepepê papapá...
E eu te digo: -Nem vem, nem vem querer se safar 2010! A filha quem me deu foi 2008 e o marido lindo quem me deu foi 2006! São ambos ótimos, maravilhosos, coisa mais rica de mi vida, mas estão aqui, independente de você.
Mas olha, eu não tô magoada com você não, estou apenas frustrada.
Ahhhhh, vai! Não fica assim! Tiveram alguns bons momentos com amigos, com a família...
Mas é que eu preciso de mudanças substanciais, entende? Não fica deprê! tenho certeza de que pra um monte de gente por aí, nesse mundão afora você foi um ano maravilhoso! Mas é que comigo não rolou a química sabe?
Então meu caro 2010, pára de se arrastar, segura nas caudas de uns fogos de artíficio e canta pra subir!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Morta Com Farofa!

É exatamente assim que eu estou me sentindo neste final de ano.
Morta eu já estava, mas esse final de semana jogaram a farofa em cima.



Festinha da Cecília em New Iguaçu. Isso quer dizer, levar três toneladas de caixas, bolsas, malas, criança e marido daqui pra lá. E isso quer dizer também que todas essas coisas (exceto marido e criança hehehe) foram compradas no Saara, um conjunto de ruas de comércio popular aqui no Rio, que nesta época do ano fica mais conhecido como purgatório.
Inventei um tal de tema do jardinzinho e lá fui eu! Tudo quanto era coisa floridinha que eu via mandava pra dentro das cestinhas! Se tinha abelhinhas e joaninhas então, aí cabô, cestinha! rs!
Comes e bebes encomendados, comes e bebes por fazer, coisinhas pra embalar, coisinhas pra colar, coisinhas pra encaixar, coisinhas pra pintar, coisinhas pra encher, coisinhas pra enrolar, meu Deus. Da próxima vez que eu inventar um negócio desses me interna que eu estou louca!
Marquei a festinha para as três da tarde de domingo, então quer dizer, de sábado pra domingo eu simplesmente NÃO DORMI. Nada, nadica de nada.

Sem contar que eu fui acometida por uma gripe avassaladora que eu tinha que ignorar porque né, a menos que eu tivesse morrendo não podia me dar ao luxo de deitar com um termômetro na boca e esperar a gripe passar.

Na hora da festa eu parecia os zumbis daquele clipe do Michael Jackson, não me sobrava uma gotícula de glamour.

Mas vocês pensam que acabou? Nããããão! Adivinhem o que acontece bem no meio da festa, que acontecia no quintal sem cobertura da minha mãe ? São Pedro, velho de guerra, maroto que ele só, mandou uma tromba d'água que não tinha mais tamanho. Gente, mas era tanta chuva, mas tanta chuva, que olha, não tenho nem palavras.

Ou melhor, tenho sim. Minha cunhada ficou ilhada na Avenida Brasil, com o marido, duas filhas (uma das quais grávida de sete meses) e o genro dentro de seu fusquinha até as três horas da madrugada esperando o alagamento acabar pra seguir viagem. Foi nesse naipe.

Mas, entre abelhinhas e joaninhas, salvaram-se todos. Cecília adorou, é claro, estava alheia a todas as intempéries. Pra ela foram só flores, literalmente.

Não sei se eu já disse isso, mas é bom repetir: DA PRÓXIMA VEZ QUE EU INVENTAR UM NEGÓCIO DESSES ME INTERNA PORQUE EU ESTOU LOUCAAAAA!!!!!!
 
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