segunda-feira, 12 de abril de 2010

Tipos da Vila

Episódio de Hoje: Os Malucos

Mas eu tô falando de maluco mesmo. Doido. Varrido. Que rasga dinheiro.
Tem a maluca dançarina, mais ou menos 30 anos, baixinha, magrinha, cabelos lisos e um largo sorriso no rosto.
Ela dança o dia inteiro, faça chuva ou faça sol. Esses dias tava dançando no sinal de trânsito.
Era assim: Os carros paravam ela dançava na frente deles, tal qual uma mulher que quer reconquistar o marido. Movimentos sensuais(ela não usa roupas sensuais, se usasse poderia até fazer um dinheirinho rs!), desordenados, passa a mão no cabelo e ri, um sorriso largo, de uma felicidade ímpar!
Quando os carros andavam ela ficava no meio do canteiro, sorrindo e dançando e as velhinhas Vilabelenses ficavam em pânico!
Era um tal de: -O carro vai pegar! -Ela vai cair! -Ah, se ela tropeça!
Eu não sei bem se isso eram exclamações de preocupação ou se, invejando tamanha felicidade, estavam a rogar pragas na pobre da doida...

Tem o maluco agressor. Mais ou menos 40 anos(bem vividos), magro (porque doido não deve comer muito não, né?), alto e com uma cara de índio xavante.
Esse ao contrario da doida dançarina não é feliz. Volta e meia ele descarrega sua ira em algum transeunte desavisado.
A agressão começa com um dialeto irreconhecível, aliás isso é até bom, porque com certeza ele não está falando de como o dia está bonito. E aí ele vai pra cima da pessoa e se tu não correr ele te bate. bate mesmo. E não é lenda não, eu mesma já fui uma vítima!
Estava eu passando com o carrinho de Penélope charmosa da Cecília quando ele surgiu do nada, de trás de um camelô (que é um camelo francês haha), gritou Ráááááá e veio pra cima de mim! Um trauma. Não me deu uma porque eu me imbuti do maior espírito de instinto animal e taquei-lhe o guarda chuva pra proteger a minha cria.
Dizem as más linguas que a "bandidagi" já jurou o pobre doido.
P.s. Não o confunda com o psicopata que andou espancando mulheres tempos atrás.(pois é.)

Tem também a maluca da Suipa. Uma velhinha que vive rodeada de cachorros por todos os lados.
Eu já cheguei a contar uns doze fazendo a corte dela. Sim, porque a impressão que a gente tem, é que ela é uma rainha e os cachorros são seus súditos!
E gente, ela carrega uma tralha e-nor-me! É um carrinho de feira com tudo quanto é objeto existente sobre a face da terra dentro. Fora as malas e as bolsas. A gente passa por ela e ela nos olha com um ar de desdém, como se nós não estivéssemos à altura de chegar perto de sua nobre figura.
De vez em quando ela tá feliz, aí ela ri pra todo mundo, aquele sorriso que não tem um atacante pra contar história!

O engraçado é que não se vê estas figuras à noite... Será que quando cai o dia eles se vestem de sanidade e voltam pra suas casas?
Ou são só personagens do enredo da minha querida Vila Isabel, e o final de cada dia é o final de um carnaval, e ao invés de quarta de cinzas, no outro dia começa outro carnaval?

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